Varejo dos EUA está insatisfeito com cautela dos consumidores

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008 11:58 BRST
 

Por Nicole Maestri

LAS VEGAS (Reuters) - O custo da incerteza econômica para os grupos de varejo de eletrônicos dos Estados Unidos foi revelado com muita clareza na terça-feira por Phil Schoonover, presidente-executivo da Circuit City .

"Eu não estou sorrindo", declarou Schoonover, quando convidado a refletir sobre as vendas de sua empresa em 2007.

Ele e outros executivos estavam falando em um painel da Consumer Electronics Show, em Las Vegas, onde as maiores empresas mundiais de tecnologia expõem seus novos e reluzentes aparelhos, na esperança de que o varejo os adquira para vender em 2008 e no futuro.

Mas os representantes das empresas de varejo presentes ao evento se declararam preocupados com o estado da economia norte-americana, e disseram acreditar que os consumidores dos Estados Unidos pensarão duas vezes antes de realizar compras desnecessárias em 2008.

"Os grandes produtos, aqueles que as pessoas desejam, continuam a ser comprados em grande volume", disse Steve Eastman, vice-presidente de bens eletrônicos de consumo no grupo de varejo Target .

Mas ele acrescentou que "os compradores serão mais seletivos." Com a rápida deterioração no mercado de crédito hipotecário de risco, a alta nos preços dos alimentos e da gasolina e uma compressão de crédito, 2007 causou dificuldades a muitos grupos de varejo.

"O ano se revelou muito bom para nós, com crescimento substancial, mas acredito que tenha sido mais desafiador do que as pessoas imaginavam inicialmente", disse Brad Anderson, presidente-executivo da Best Buy, durante o painel.

"Vimos bastante crescimento ao longo do ano, mas não foi fácil" acrescentou. E 2008, iniciado há apenas oito dias, não está provando ser fácil tampouco.

O índice de varejo Standard & Poor's caiu em 7 por cento neste ano, e, na segunda-feira, o Bear Stearns rebaixou sua recomendação quanto às ações da Best Buy.

"Considerando os recentes dados macro, incluindo tendências preocupante quanto ao nível de emprego, o setor está mal posicionado para o ambiente que temos", escreveu Christopher Horvers, analista do Bear Stearns, em nota de pesquisa.