13 de Novembro de 2007 / às 20:02 / 10 anos atrás

Licitação do governo pega setor de satélites num gargalo

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - O governo tem meio bilhão de reais para destinar a empresas de satélites numa licitação que prevê conectar todos os municípios brasileiros à Internet. A disputa entre fornecedores será acirrada, na avaliação oficial, mas acontecerá em um momento em que a oferta de capacidade de satélite do país está estrangulada e os preços vêm aumentando.

Especialistas consultados pela Reuters foram unânimes em observar a delicada correlação entre oferta e demanda neste momento. Não se trata de um “apagão” mas de um “gargalo”, observaram.

“Até dois anos atrás havia excesso de oferta, hoje o que se vê é excesso de demanda. Isso acarreta reações de mercado e na precificação dos contratos”, afirmou o vice-presidente de Planejamento Estratégico da Brasil Telecom, Luiz Francisco Perrone.

O grande lançamento do ano, o satélite Star One C1, que aconteceria na semana passada, a partir da base de Kourou, na Guiana Francesa, foi adiado devido a anomalias técnicas identificadas no foguete lançador da Arianespace, já nos testes finais. Novo adiamento aconteceu na segunda-feira.

A Star One, empresa da Embratel e da GE Capital Equity Investments, espera que o lançamento se realize nos próximos dias. Os planos originais da Star One previam que o C1 estivesse no espaço desde 2006, com capacidade adicional em relação ao Brasilsat 2, que será substituído.

Os 16 transponders (receptores e transmissores de sinais) adicionais posicionados na chamada banda KU darão à Star One mais fôlego na oferta de conexão rápida de Internet num cenário de demanda crescente. A Star One contrata hoje capacidade em banda KU da New Skies.

“A gente está projetando essa capacidade adicional para banda larga. Os transponders podem ser usados nesses projetos governamentais, mas também pelas operadoras de telecomunicações”, afirmou o presidente da Star One, Gustavo Silbert.

Eventual atraso prolongado no lançamento do C1, por exemplo, pode levar a busca por opções. Mas elas não são tantas. A Hispamar --formada pela Telemar e pela espanhola Hispasat-- afirma que tem praticamente 100 por cento do satélite Amazonas ocupado.

“A gente tinha traçado curva de crescimento até 2007. Mas as expectativas de demanda em 2008 ninguém tinha planejado”, afirmou o diretor-comercial da Hispamar, Sérgio Chaves. Ele admitiu que os preços aumentaram entre 15 e 25 por cento desde o ano passado, embora a valorização do real frente ao dólar tenha tornado o aluguel de transponder mais acessível.

Dois novos satélites estão previstos para 2008 (Star One C2) e 2009 (Amazonas 2).

FATIA DO LEÃO

A expansão desse mercado vai ser alimentada ainda pela muito aguardada licitação do Ministério das Comunicações para contratar 20.000 pontos de conexão à Internet para os 5.565 municípios brasileiros, estimada entre 500 milhões e 650 milhões de reais pelo diretor de Serviços de Inclusão Digital da pasta, Heliomar Medeiros de Lima.

A mais nova etapa do Programa do Governo Eletrônico-Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac) reserva 12.000 pontos para conexão por satélite, divididos em dois lotes iguais, um para o Nordeste e outro para o resto do país. Para os demais pontos, a conexão será por linha telefônica ou cabo.

Como essa tecnologia é mais cara que a conexão terrestre e representará 60 por cento do total de pontos contratados, os recursos para o segmento de satélite devem responder por 70 a 80 por cento da licitação total ou entre 350 milhões e 520 milhões de reais.

O edital definitivo será publicado ainda este mês, de acordo com Lima. Por causa de atrasos nessa licitação, que inclui atendimento prioritário a escolas públicas de ensino médio, o representante do Ministério planeja reduzir o prazo de 30 dias previsto para a apresentação de propostas na tentativa de realizar o pregão ainda este ano.

“Principalmente no que diz respeito à parte de satélite, vai haver muita concorrência”, afirmou Lima à Reuters, listando seis empresas que já conta que participarão da disputa: Comsat (que detém o atual contrato para 3.400 pontos), Star One, Hughes, Global Crossing, Via Telecom e Telespazio. Os contratos terão quatro anos e a instalação dos pontos deve se dar em 15 meses a partir da assinatura.

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