Licitação do governo pega setor de satélites num gargalo

terça-feira, 13 de novembro de 2007 18:22 BRST
 

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - O governo tem meio bilhão de reais para destinar a empresas de satélites numa licitação que prevê conectar todos os municípios brasileiros à Internet. A disputa entre fornecedores será acirrada, na avaliação oficial, mas acontecerá em um momento em que a oferta de capacidade de satélite do país está estrangulada e os preços vêm aumentando.

Especialistas consultados pela Reuters foram unânimes em observar a delicada correlação entre oferta e demanda neste momento. Não se trata de um "apagão" mas de um "gargalo", observaram.

"Até dois anos atrás havia excesso de oferta, hoje o que se vê é excesso de demanda. Isso acarreta reações de mercado e na precificação dos contratos", afirmou o vice-presidente de Planejamento Estratégico da Brasil Telecom, Luiz Francisco Perrone.

O grande lançamento do ano, o satélite Star One C1, que aconteceria na semana passada, a partir da base de Kourou, na Guiana Francesa, foi adiado devido a anomalias técnicas identificadas no foguete lançador da Arianespace, já nos testes finais. Novo adiamento aconteceu na segunda-feira.

A Star One, empresa da Embratel e da GE Capital Equity Investments, espera que o lançamento se realize nos próximos dias. Os planos originais da Star One previam que o C1 estivesse no espaço desde 2006, com capacidade adicional em relação ao Brasilsat 2, que será substituído.

Os 16 transponders (receptores e transmissores de sinais) adicionais posicionados na chamada banda KU darão à Star One mais fôlego na oferta de conexão rápida de Internet num cenário de demanda crescente. A Star One contrata hoje capacidade em banda KU da New Skies.

"A gente está projetando essa capacidade adicional para banda larga. Os transponders podem ser usados nesses projetos governamentais, mas também pelas operadoras de telecomunicações", afirmou o presidente da Star One, Gustavo Silbert.

Eventual atraso prolongado no lançamento do C1, por exemplo, pode levar a busca por opções. Mas elas não são tantas. A Hispamar --formada pela Telemar e pela espanhola Hispasat-- afirma que tem praticamente 100 por cento do satélite Amazonas ocupado.   Continuação...