ENTREVISTA-Pai da Internet vê governos longe do controle da Web

quarta-feira, 14 de novembro de 2007 15:41 BRST
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Vinton Cerf, tido como um dos primeiros "pais" da Internet, acredita que será muito difícil para os governos aumentarem seu controle sobre a rede mundial de computadores por meio de entidades internacionais nos moldes da ONU e defendeu o atual modelo de gestão da Web, com a participação de múltiplos setores da sociedade.

O norte-americano de 64 anos, que ao lado do colega Robert Kahn desenvolveu na década de 1970 os protocolos TCP/IP, a base da infra-estrutura de comunicação dos computadores ligados à Web, se diz contrário à criação de uma entidade intergovernamental que substitua o monopólio da Icann. A organização sem fins lucrativos, da qual ele fez parte da diretoria até outubro, é vinculada ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

"Praticamente todos os países do mundo têm algum acesso à Internet, alguns menos que os outros. Então é tentador pensar que você precisa de uma estrutura com os moldes da ONU, mas pensar isso é errado", disse Cerf nesta quarta-feira em entrevista à Reuters no Rio de Janeiro, onde participa do Fórum de Governança na Internet (IGF).

"E a razão para isso é que 99 por cento da Internet está nas mãos do setor privado", explicou o pesquisador. "São 1 bilhão de usuários espalhados pelo mundo, não é apenas algo governamental a se controlar, e por isso que você precisa dessa estrutura de participantes de múltiplos setores para avaliar todas as perspectivas possíveis."

Cerf deixou a Icann após sete anos na diretoria da entidade, formada por representantes de governos, setor privado e academia e que conta com integrantes brasileiros. O pesquisador é atualmente executivo do Google e é convidado ilustre do IGF, evento que acontece em meio a crescentes pressões pelo aumento do controle dos governos sobre a Web.

Países como o Irã, a China e até o Brasil argumentam que a Internet deveria ser administrada pela Organização das Nações Unidas (ONU) ou outra organização mundial.

SUCESSO INESPERADO

Após confessar que não gosta de ser chamado de "pai da Internet", já que "há muitas pessoas que fizeram a Internet acontecer", o pesquisador disse que não imaginava que a rede mundial pudesse atingir a magnitude que atingiu tão rapidamente. Ele lembra que o objetivo sempre foi garantir o acesso a todos.   Continuação...