Ações de tecnologia na Bovespa perderam mais de R$1 bi este ano

sexta-feira, 18 de abril de 2008 17:40 BRT
 

Por Taís Fuoco e Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - As ações de empresas vinculadas a setores de informática perderam este ano pelo menos 1 bilhão de reais em valor de mercado, pressionadas por um cenário de forte oscilação da Bovespa, que reduziu o apetite dos investidores por ativos menos líquidos.

Apesar de apresentarem resultados consistentes e estarem inseridas em um momento de crescimento da economia, Datasul e Totvs, produtoras de software empresarial; IdeiasNet, holding de investimento em empresas de tecnologia; e UOL, provedor de Internet; acumularam perdas de 1,043 bilhão de reais até 14 de abril, de acordo com dados da Economática.

E como se não bastasse, ações da Positivo Informática, maior fabricante de computadores do país, registraram perda de cerca de 50 por cento no mesmo período, e as ações da Bematech, fabricante de soluções de automação comercial, recuaram cerca de 30 por cento.

Para a analista Luciana Leocádio, da Ativa Corretora, os bons resultados não impedem que a falta de liquidez penalize os papéis dessas companhias. "O investidor estrangeiro não se sente confortável com o risco da baixa liquidez", disse a analista à Reuters.

A opinião é compartilhada por outro analista que prefere não ter seu nome revelado. Para ele, "é preciso ter em mente que a aversão maior ao risco por parte do mercado afeta principalmente as empresas de baixa liquidez".

A Datasul, especializada em software para grandes empresas, reconhece que enfrenta a desvantagem da baixa liquidez, segundo a diretora de relações com investidores (RI), Monica Carvalho Molina. Mas, na sua opinião, não se trata apenas disso.

"O mercado sempre nos penalizou pela baixa liquidez, mas hoje já existem fundos que só investem em small caps", disse a diretora. Para ela, entretanto, o que existe "é um grande desconhecimento do que seja TI", afirmou, referindo-se à sigla de tecnologia da informação.

"Para o investidor estrangeiro, TI está associado à Índia e aos processos de terceirização onde a inteligência fica no cliente" e não nas companhias de tecnologia, segundo Monica.   Continuação...