ENTREVISTA-Roubo de dados da Petrobras não foi o primeiro

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 17:28 BRST
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Desde a descoberta de uma reserva gigante na camada pré-sal no campo de Tupi, na bacia de Santos, a Petrobras tem sido alvo de uma prática muito comum no mundo do petróleo, mas até então pouco usada no Brasil: a espionagem industrial.

O roubo de dados estratégicos da estatal brasileira que estavam sob responsabilidade da empresa norte-americana Halliburton, com informações sobre a bacia de Santos, não foi o primeiro, segundo o diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) e ex-engenheiro da área de Exploração e Produção da estatal, Fernando Siqueira.

"Isso (roubo) é reincidente, porque tenho notícias de que há um ano e meio vêm sendo roubados laptops na casa dos técnicos envolvidos com essa área, teve assalto na casa de dois engenheiros e um geólogo e só levaram o laptop", informou.

Procurada, a Petrobras informou que não vai comentar as declarações de Siqueira.

Esse tipo de espionagem, lembrou, é muito comum na indústria do petróleo há anos. Para Siqueira, as suspeitas sobre o autor do roubo recaem em muitos agentes do setor, e ele só isentaria de culpa três companhias:

"Galp e Britsh Gas, por serem parceiras, e a OGX, do Eike Batista, que levou cinco gerentes de produção para trabalhar com ele, ou seja, já tem os arquivos vivos", afirmou.

Contemporâneo do atual diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, Siqueira lamentou que o roubo jogue 30 anos de pesquisa feita pela companhia, por um valor estimado em 2 bilhões de dólares, em mãos desconhecidas.

"São informações que permitem saber a composição total do poço, saber qual a melhor localização para furar o novo poço. Dá a quem tiver esses dados informações bastante estratégicas para futura exploração e perfuração da área", afirmou.   Continuação...