França quer tirar sites pró-anorexia do ar

terça-feira, 15 de abril de 2008 12:27 BRT
 

PARIS (Reuters) - Políticos franceses pediram nesta terça-feira penas mais duras de até três anos de cadeia e multas pesadas contra sites "pró-anorexia" e publicações que encorajem garotas e adolescentes a não se alimentarem.

"Dar dicas às jovens de como mentir aos médicos, dizer a elas quais alimentos são mais fáceis de vomitar, encorajá-las a se torturarem sempre que se alimentam não é parte da liberdade de expressão", afirmou a ministra da saúde, Roselyne Bachelot, em discurso ao Parlamento.

"As mensagens passadas aqui são mensagens de morte. Nosso país deve ter meios de encontrar e processar as pessoas por trás de coisas como essas", disse a ministra, durante debate sobre uma proposta de lei contra a apologia à anorexia.

Visando principalmente os blogs e sites "pró-anorexia" nos quais experiências anoréxicas são compartilhadas, a lei aplicaria pena de dois anos mais multa de 30 mil euros (47,5 mil dólares) por "incentivo excessivo à magreza por publicações de qualquer tipo".

A pena pode ser elevada para três anos na cadeia mais multa de 45 mil euros em casos em que uma morte foi causada por anorexia.

O projeto foi aprovado pala câmara baixa do Parlamento na terça-feira e deve ser aprovada pelo Senado antes de se tornar lei.

Especialistas em saúde afirmam que distúrbios alimentares entre meninas e adolescentes são incentivados por pressões insidiosas de propagandas, filmes, TV e outras mídias para se atingir um nível inacessível de atratividade física.

Mas eles afirma que muitas também procuram exercer uma forma perversa de controlar suas vidas limitando severamente seu peso e a quantidade de alimentos, uma tendência que se reflete em muitos dos comentários desses tipos de sites.

Na França, o Ministério da Saúde estima que existam entre 30 mil e 40 mil anoréxicas, 90 por cento delas adolescentes e tem ocorrido um debate crescente sobre as condições desde que a modelo brasileira Ana Carolina Reston morreu de anorexia em 2006.

A indústria da moda, no centro de uma questão controversa por causa da presença constante de modelos muito magras em desfiles e apresentações, tomou medidas para excluir modelos excessivamente magras da maior parte de suas exibições.

(Reportagem de James Mackenzie)