16 de Fevereiro de 2008 / às 00:10 / em 10 anos

Consultoria vê chance de expansão latina de nova supertele

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - O diretor-geral da consultoria AT Kearney para América Latina, Raul Aguirre, identifica possibilidades de internacionalização da supertele que vem sendo costurada por BNDES, Casa Civil e investidores das operadoras Oi e Brasil Telecom.

Embora o mercado de telecomunicações latino-americano esteja praticamente dividido entre os grupos espanhol Telefónica e mexicano América Móvil, o especialista vê oportunidades em mercados da América Central e Colômbia, onde o grupo Millicom International atua.

“O Millicom tem um conjunto de operadoras na América Central, operações menores e não-alinhadas com a Telmex ou a Telefônica”, afirmou Aguirre a jornalistas nesta sexta-feira, após ter participado de debate sobre o tema na Câmara Americana de Comércio (AmCham).

O grupo Millicom, parte do conglomerado sueco Kinnevic, tem operações de telefonia móvel em El Salvador, Guatemala, Honduras, Bolívia, Paraguai e Colômbia, além de presenças na África e na Ásia, totalizando 16 países e 23 milhões de clientes. O resultado de 2007 foi aumento de 67 por cento na receita, para 2,6 bilhões de dólares.

Na Colômbia, onde é a terceira operadora, concorrendo com a Telefónica e a América Móvil, a Millicom adquiriu o controle da Colombia Móvil de duas estatais por 125 milhões de dólares, em 2006. Lá, a marca “Ola” --inspirada na “Oi”, segundo Aguirre-- foi substituída pela “Tigo”, que o grupo Millicom adota na maioria dos seus mercados.

Para o diretor da AT Kearney, uma iniciativa expansionista, via parceria ou aquisição, pode elevar a receita da futura supertele brasileira de 15 bilhões de dólares para algo como 20 bilhões de dólares. “É uma questão de achar 5 bilhões de dólares por aí, na América Central, por exemplo”, disse.

Mas o especialista não vê facilidade em disseminar a marca “Oi” pela região por causa da diferença com o espanhol --diferentemente do que ocorreu com a marca “Claro”, criada no sul do Brasil e que está sendo adotada pela América Móvil em suas operações latino-americanas. A Telefónica também recorre a marca única, “Movistar”, exceto no Brasil, onde ainda utiliza a “Vivo”, em parceria com a Portugal Telecom .

Por outro lado, eventual internacionalização de uma grande operadora brasileira, controlada por capital doméstico, teria o benefício de recursos humanos cada vez mais capacitados, segundo Aguirre, citando exemplo da AmBev, que exportou executivos para a empresa-mãe, a belga InBev.

O consultor ainda faz um alerta: o Brasil chega atrasado ao movimento de consolidação do mercado internacional de telecomunicações. “O Brasil está muito aquém do potencial que responde a ele propriamente, mas esse é um jogo duríssimo”, afirmou.

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