Tecnologia aproxima judô brasileiro de ouros olímpicos

sexta-feira, 16 de maio de 2008 08:19 BRT
 

Por Maurício Savarese

SÃO PAULO (Reuters) - Já passou o tempo no qual o judô brasileiro dependia de talentos individuais, que tinham como únicas ferramentas de trabalho o tatame, a faixa e o quimono. Agora até raios infravermelhos e sistemas de reconhecimento de voz ajudam nos preparativos da equipe mais premiada que o Brasil já teve nesse esporte.

Com informações colhidas desde o início deste ano, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) estruturou um amplo banco de dados com quase todos os possíveis adversários de brasileiros em Pequim, com direito a imagens digitais e softwares para reconhecer os movimentos dos atletas rivais, em uma iniciativa pioneira no país.

Os dados incluem o tempo dos combates dos potenciais adversários na Olimpíada, os tipos de pegada no kimono e a forma de movimentação de cada um deles. Depois da compilação das informações, os técnicos e os judocas fazem treinamentos especiais para cada adversário que pode estar no caminho do ouro em agosto.

"Olimpíada é decidida em detalhe. Nós queremos com isso ampliar o nosso arsenal. É um investimento, entre outros que estamos fazendo, que nos faz ter como meta conseguir a melhor participação do judô brasileiro em uma Olimpíada em toda a história", disse à Reuters o coordenador de seleções, Ney Wilson, durante treinamentos em São Paulo.

A idéia foi testada no Pan-americano do Rio de Janeiro, no ano passado, com todos os atletas que disputaram a competição. Depois disso, os olheiros da CBJ passaram a arquivar dados de judocas estrangeiros em etapas da Copa do Mundo. Os preparativos para Pequim estão sendo feitos com dados atualizados desde janeiro, afirmou ele.

O sistema já é utilizado por outras equipes do exterior, que costumam ter judocas entre os favoritos para conquistar o pódio na China: Japão, França, Rússia, Hungria, Holanda e a própria dona da casa.

INVESTIMENTO

As injeções de recursos, diz Wilson, geradas pela Lei de Incentivo ao Esporte e pelo patrocínio de uma estatal, se justifica porque a equipe brasileira tem três campeões mundiais -- João Derly, Tiago Camilo e Luciano Corrêa -- e outros talentos que podem surpreender em Pequim.   Continuação...