17 de Julho de 2008 / às 11:57 / em 9 anos

Brasil Tel triplica número de empregados e preocupa sindicato

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Depois de internalizar a central de atendimento a clientes, a Brasil Telecom Participações decidiu repetir o processo com o provedor Internet Group (iG) no segundo trimestre deste ano, o que fez com que o total de funcionários triplicasse em um momento em que se negocia a venda da companhia.

O fato tem preocupado os sindicalistas diante do fato de que a Oi também controla uma companhia de prestação de serviços de atendimento, a Contax, que teve seu capital aberto em 2005 e hoje atende empresas de todo o país.

Em dezembro, a Brasil Telecom trouxe para dentro da companhia a central de atendimento da operadora, que atua em 10 Estados da região Centro-Oeste, Sul e Norte e que antes disso era terceirizada. Nesse processo, ela ganhou 10,82 mil empregados.

No segundo trimestre deste ano, a companhia decidiu fazer o mesmo processo com o iG, o que acrescentou algo como 1,2 mil empregados à central criada pela Brasil Telecom, que já totaliza 12 mil pessoas.

Dessa forma, o total de funcionários, que era de 5,86 mil em junho de 2007, saltou três vezes em junho deste ano, para 17,82 mil pessoas.

O vice-presidente de finanças e relações com investidores, Paulo Narcélio do Amaral, explicou, em teleconferência com analistas, que essa foi a causa do aumento de 40,2 por cento na conta de pessoal nas despesas da companhia em seu balanço do trimestre.

A conta de serviços de terceiros, por sua vez, caiu 5 por cento na mesma comparação com o segundo trimestre de 2007, mas o executivo não comentou a diferença.

O analista Alex Pardellas, do Banif Investment Banking, afirmou acreditar que a Contax da Oi ganhe esse contrato e que a Brasil Telecom tenha de se desfazer da central de atendimento própria.

Ele lembra que a Contax já é a segunda maior empresa de atendimento do país, atrás apenas da Atento (grupo Telefônica), e que ela emprega 63 mil funcionários.

Para o analista, “é difícil saber se a internalização foi boa ou ruim” para a Brasil Telecom, já que as margens melhoraram neste segundo trimestre e os resultados da empresa tiveram efeitos extraordinários, como o pagamento feito pela Oi para encerrar litígios.

O grande volume de admissões na Brasil Telecom tem, entretanto, preocupado a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel), que levou o assunto tanto à diretoria da BrT como da Oi, segundo João Anselmo Cavalcante, diretor que acompanha o processo de compra da BrT.

Ele lembra que a Oi se comprometeu a manter os empregos por um período de três anos, caso a compra se concretize. “Mas estamos preocupados com a qualidade desses empregos”, disse Cavalcante, em entrevista à Reuters.

“Na nossa visão, ela pode substituir um grupo de trabalhadores que ganha entre 3 mil e 4 mil reais por vagas que pagam 700 a 800 reais mensais”, ponderou o sindicalista, que espera eliminação de redundâncias na parte administrativa entre as duas operadoras.

A companhia justificou a decisão, de acordo com Cavalcante, por acreditar que se torne mais competitiva e garanta a fidelização dos clientes com um atendimento mais personalizado. Para Cavalcante, no entanto, o fato da Brasil Telecom ter criado suas próprias operações de atendimento a clientes “vai criar um conflito com a Contax”.

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