17 de Abril de 2008 / às 19:46 / em 9 anos

ENTREVISTA-Adoção de software livre está aquém da expectativa

Por Taís Fuoco

PORTO ALEGRE (Reuters) - O Fórum Internacional de Software Livre (fisl) abriu sua nona edição nesta quinta-feira contabilizando um público recorde inscrito de mais de 6,6 mil pessoas. Apesar do aumento do interesse, o uso de programas livres ainda não cumpriu expectativas, na percepção dos próprios organizadores do evento.

Sady Jacques, coordenador-geral da Associação Software Livre.org, responsável pela organização da fisl em Porto Alegre (RS), admite que mesmo a adoção da tecnologia pelo governo, que desde o primeiro mandato do presidente Luis Inácio Lula da Silva defendeu publicamente a substituição de sistemas proprietários, “não aconteceu da forma como gostaríamos”.

“Os legados (de software) são quase todos proprietários e envolvem vínculos muito fortes”, afirmou à Reuters, referindo-se ao parque de máquinas existente em ministérios e secretarias das instâncias governamentais.

Nas empresas, a adoção de sistemas de código aberto nos PCs cresceu 12,4 por cento nos últimos 12 meses, mas o software livre está presente em menos da metade dos microcomputadores corporativos. O índice, segundo pesquisa do Instituto Sem Fronteiras divulgada em fevereiro deste ano e citada por Jacques, é de 47 por cento.

Na mesa do usuário doméstico a adoção de software livre ainda é uma incógnita e a percepção é de que ainda não aconteceu de maneira significativa, diante da falta de dados do mercado.

Para Jacques, entretanto, “é uma questão de tempo” para que uma massificação do software livre aconteça, já que “a curva de adoção cresce de forma acentuada, enquanto o sistema hegemônico (Windows, da Microsoft ) está estável”.

O domínio da Microsoft nos sistemas operacionais instalados em mais de 90 por cento dos microcomputadores está ligado a dois fatores, na opinião de Jacques.

O primeiro é que o Windows tem mais de 20 anos de mercado, cerca do dobro do tempo de existência do Linux, e a Microsoft tem acordos com os principais fabricantes de hardware para que as máquinas já cheguem ao mercado com o sistema instalado. “É um acordo legítimo, ela (Microsoft) sabe que precisa dessas parcerias para sobreviver”, afirmou.

Além disso, “a disseminação do Windows na casa do usuário se deve ao fato de que há uma distribuição em massa de cópias piratas do sistema”, acrescentou Jacques. “Tenho absoluta certeza de que, do total de máquinas com Windows nas casas das pessoas, metade é cópia pirata, é contravenção.”

Por isso, na sua avaliação, só uma política pública eficaz de combate à pirataria poderia contribuir para que o consumidor final visse o Linux com outros olhos, já que seria uma opção de custo menor aos usuários diante dos programas proprietários que exigem pagamento de licenças.

Apesar do ritmo de adoção ainda abaixo do esperado, a tecnologia de código aberto tem a seu favor no Brasil o fato de que mais de 73 por cento das companhias com mais de mil funcionários utilizam software livre em algum grau, disse Jacques, citando a pesquisa do Instituto Sem Fronteiras.

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