Nokia põe usuários para trabalhar enquanto toma Web

terça-feira, 18 de março de 2008 12:32 BRT
 

Por Tarmo Virki

HELSINQUE, Finlândia (Reuters) - Um vídeo bastante popular no YouTube mostra um "celular conceitual" que poderia literalmente se dobrar para se prender ao pulso. Chamado de Nokia Morph, o aparelho também é uma imagem de como a maior fabricante mundial de celulares quer mudar.

À medida que a Internet se torna mais móvel e empresas como Apple e Google encontram maneiras interessantes de estimular a tendência, a líder no mercado de celulares está reescrevendo as regras de seu desenvolvimento de produtos. Em lugar de trabalhar em segredo, isolada, ela está começando a compartilhar suas idéias.

"Para a Nokia, essa é provavelmente a maior aposta desde que eles ingressaram no mercado de celulares", disse Ben Wood, diretor de pesquisa da CCS Insight, que acompanha a firma finlandesa desde 1994.

Além de colocar idéias futuristas em sites de vídeo --como no caso do Morph, que ilustra um aparelho flexível, movido a energia solar, capaz de seu autolimpar e dotado de faro--, a Nokia está convidando blogueiros e especialistas em mídia com bons conhecimentos tecnológicos a participar de sessões de criação para o desenvolvimento de futuros produtos.

"Compreendemos no começo de 2005 que, se nos concentrássemos apenas em inovação vinda de dentro, estaríamos limitando o escopo de nosso avanço", disse o vice-presidente de tecnologia Bob Iannucci, em entrevista à Reuters. "Queremos idéias mais loucas."

Em jogo está uma parcela da próxima fase do crescimento da Internet em um momento de necessidade de se contrabalançar a tendência que torna os celulares cada vez mais parecidos entre si. A Forrester Research calcula que o número de usuários da Internet móvel triplique na Europa Ocidental ao longo dos próximos três anos, para 125 milhões de pessoas, e a Nokia sabe que sua margem de liderança de dois dígitos no mercado de celulares cairá.

Para evitar isso e avançar no segmento de serviços de Internet, a Nokia planeja usar sua base de 1 bilhão de consumidores --um sexto da humanidade-- para consultá-la sobre o que funciona, o que deslumbra, e o que não faz efeito num celular. Diante do muito alardeado Apple iPhone, que até o momento vendeu apenas 5 milhões de unidades, isso coloca a empresa em situação muito forte.

O mercado de serviços de Internet está se aproximando da marca dos 100 bilhões de euros e a Nokia é a primeira fabricante de celulares grande a abraçar os negócios da mídia online. Os rivais mais próximos Samsung e Sony Ericsson podem segui-la, mas estão alguns anos atrás.   Continuação...