"Bafômetro" usa laser para detectar câncer e outras doenças

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008 15:42 BRT
 

WASHINGTON (Reuters) - Pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveram um analisador a laser que pode ser capaz de ajudar médicos a detectar câncer, asma e outras doenças por meio do hálito do paciente.

O aparelho usa espelhos que fazem com que o laser toque em cada molécula que o paciente exala em uma única baforada, afirmou a equipe de pesquisadores ao periódico Optics Express, publicado nesta terça-feira.

A técnica pode ajudar a detectar em minutos traços de compostos que podem indicar presença de várias doenças, incluindo câncer, asma, diabetes e problemas nos rins, afirmaram os cientistas.

"Esta tecnologia revela de uma vez um quadro amplo de muitas moléculas diferentes presentes no hálito", disse Jun Ye, que liderou a equipe de pesquisadores da Universidade de Colorado.

Quando animais e pessoas respiram, eles exalam não apenas gases que não são necessários, como o dióxido de carbono, mas também compostos que são produzidos com o metabolismo das células.

"Até agora os cientistas identificaram mais de mil diferentes compostos presentes na respiração humana", escreveu a equipe de Ye no relatório da pesquisa, disponível em here

Alguns indicam funcionamento anormal do corpo, como a metilamina, produzida em grandes quantidades quando ocorrem problemas no fígado ou nos rins; amônia, criada quando os rins não estão funcionando corretamente; ou níveis elevados de acetona, causados por diabetes.

Pessoas com asma podem produzir muito óxido nítrico, exalado na respiração, enquanto fumantes produzem níveis elevados de monóxido de carbono.

Em 2006, pesquisadores descobriram que cães podem ser treinados para sentirem presença de câncer no hálito de pacientes. O índice de precisão foi de 99 por cento.

O aparelho criado pela equipe de Ye possui uma cavidade óptica, um espaço entre dois espelhos. Quando um laser é emitido neste espaço, o facho de luz é rebatido múltiplas vezes neste espaço, batendo contra todas as moléculas presentes no espaço, afirmou a equipe de cientistas.

(Por Maggie Fox)