21 de Dezembro de 2007 / às 00:04 / em 10 anos

ANÁLISE-Com o tempo, Telefónica deve assumir Telecom Italia

Por Mathias Wildt e Elisabeth O'Leary

MILÃO/MADRI (Reuters) - O grupo espanhol de telecomunicações Telefónica alega que a participação que detém na Telecom Italia serve apenas para influenciar a estratégia do grupo italiano, mas analistas afirmam que esse é o primeiro passo rumo ao controle efetivo da empresa.

"A Telefónica tem mais 'amore' pela Telecom Italia do que as pessoas imaginam", disse Robert Grindle, analista de telecomunicações do banco de investimento inglês Dresdner Kleinwort.

Depois de ter tentado comprar a Telecom Italia em 2001, o grupo espanhol se uniu a instituições financeiras italianas em outubro para adquirir a fatia controlada pela Pirelli na ex-monopolista italiana, que tem valor de mercado de 39 bilhões de euros (56 bilhões de dólares).

Tomar as rédeas do quinto maior grupo telefônico da Europa daria à Telefónica controle da principal operadora na Itália, com margem de lucro de cerca de 45 por cento, muito acima da dos concorrentes na região, bem como importantes operações no Brasil e na Argentina.

"A importância estratégica deste acordo para a Telefónica é exemplificada pelo fato de que eles colocaram seus principais executivos no conselho da Telecom Italia", apontou Alessandro Frigerio, gerente de fundos da RMJ, em Milão, referindo-se ao presidente do conselho da Telefónica, Cesar Alierta, e ao número dois, Julio Linares.

"Esse é um sinal importante. Pouco a pouco, e não agressivamente, a Telefónica assumirá a Telecom Italia."

A Telefónica preferiu não comentar o assunto. A empresa afirmou que a compra de participação indireta de 10 por cento é suficiente para influenciar estrategicamente a Telecom Italia e que as duas companhias podem economizar até 500 milhões de euros por ano em operações conjuntas.

É SÓ O BRASIL?

Alguns analistas acreditam que Alierta quer meramente assustar Carlos Slim, mexicano dono da America Móvil, que também se ofereceu para comprar a parte da Pirelli, numa batalha centrada no mercado de telefonia móvel brasileiro onde as três empresas são concorrentes.

Quem for capaz de influenciar a unidade da Telecom Italia no Brasil pode dominar o setor no país, afirmaram os analistas.

"Era inicialmente uma atitude defensiva para frear a expansão da America Móvil na América Latina", segundo Luis Padron, analista da Fortis, em Madri.

Contudo, o fato de a Telefónica ter pago 2,82 euros por ação da Telecom Italia em posse da Pirelli ao invés de comprar as ações no mercado por 40 por cento menos, mostra que Alierta escolheu investir em capital político de longo prazo, afirmaram investidores.

O grupo espanhol ajudou o governo italiano a retomar controle da empresa de telecomunicações depois que o primeiro-ministro Romano Prodi e o presidente do conselho da Pirelli Marco Tronchetti Provera tiveram divergências públicas em torno da estratégia traçada para a Telecom Italia.

O conflito fez Tronchetti renunciar à presidência do conselho da operadora italiana um ano atrás e colocou a empresa num período de incertezas, que finalmente se desfez depois da chegada da Telefónica em conjunto com os bancos italianos Intesa Sanpaolo, Mediobanca e da seguradora Generali .

Desde que o acordo foi fechado, em 25 de outubro, as ações da Telefónica não sofreram oscilação expressiva, enquanto os papéis da Telecom Italia subiram cerca de 5 por cento.

Uma fusão da Telefónica com a Telecom Italia pode acontecer no médio a longo prazo. Mas, por enquanto, não há disposição política na Itália e na Espanha para patrocinar essa fusão, na avaliação de um analista. "É muito difícil aprovar um acordo deste tipo na Itália", afirmou o analista.

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