Inglaterra quer arquivar emails e ligações da população

terça-feira, 20 de maio de 2008 12:19 BRT
 

LONDRES (Reuters) - A Inglaterra está considerando a criação de um banco de dados governamental capaz de guardar emails, informação da Internet, ligações telefônicas e mensagens de texto de todos os habitantes do país para ajudar as forças de segurança a combater crime e terrorismo.

No momento, os registros de ligações telefônicas e mensagens de texto são mantidos por até 12 meses pelas companhias telefônicas, de acordo com regulamento antiterror da União Européia.

Mas a nova proposta do Ministério do Interior considera obrigar provedores de Internet e companhias de telecomunicações a entregarem registros que contêm bilhões de emails e também de uso de Internet e chamadas telefônicas feitas pela rede mundial de computadores (VoIP), de acordo com notícias veiculadas pela imprensa local.

Serviços policiais e de segurança poderão ter acesso à informação depois de pedirem autorização junto a tribunais.

O ministério informou que os métodos de comunicação mudaram rapidamente ao longo dos últimos 15 anos.

"As mudanças na maneira como nos comunicamos, por causa da revolução da Internet em particular, vão cada vez mais minar nossas atuais capacidades de obter dados de comunicação e usá-los para proteger o público", informou o ministério em comunicado.

"Para assegurar que nossas autoridades públicas e agências de segurança possam continuar a usar essa valiosa ferramenta, o governo está planejando um projeto de Comunicação de Dados."

O projeto deve ser apresentado ainda este ano, mas o plano ainda precisa ser discutido com outros ministérios.

A proposta deve provavelmente levantar preocupações sobre liberdades civis e proteção de dados, especialmente depois de escândalos recentes que incluíram o vazamento de informações sobre benefícios infantis.

Cerca de 57 bilhões de mensagens de texto foram enviadas na Inglaterra no ano passado, enquanto isso, estima-se que 3 bilhões de emails são enviados todos os dias, publicou o The Times.

(Por Avril Ormsby)