August 21, 2008 / 11:45 AM / 9 years ago

Novas operadoras em SP podem levar celular à classe D

6 Min, DE LEITURA

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - A chegada de duas novas operadoras de celular ao Estado de São Paulo, o maior mercado consumidor do país, não deve alterar o atual ranking de operadoras, mas pode garantir a entrada da população de classe D nesse mercado.

As operadoras Oi e a novata "aeiou" chegam quase ao mesmo tempo ao mercado paulista. A primeira teve de adiar a estréia por enfrentar resistências ao compartilhamento de infra-estrutura com as rivais e, por isso, vai começar a operar em outubro. Mas a segunda promete iniciar as vendas já em setembro.

São Paulo é o único Estado do país com apenas três operadoras (Vivo, TIM e Claro) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tentou, por três vezes, licitar frequências no Estado sem sucesso, o que levanta a dúvida: São Paulo tem menos celulares por habitante porque tem menos concorrentes ou porque, na verdade, não tem tanto potencial consumidor assim?

A teledensidade --índice que mede o número de celulares em cada 100 habitantes-- é menor em São Paulo que a registrada em em outras cinco unidades da federação. Respectivamente, os maiores são Distrito Federal, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Goiás, segundo dados da Anatel de julho.

Para o analista Alex Pardellas, do Banif, "aparentemente não há justificativa para São Paulo ter uma teledensidade menor que o Rio de Janeiro ou o Rio Grande do Sul. A renda (dos paulistas) não é menor, pelo contrário", afirmou ele à Reuters.

Na sua avaliação, "ainda há espaço para crescimento da taxa de penetração" em São Paulo, além da tentativa de captura dos clientes das rivais, "o que não é algo fácil", pondera.

OPORTUNIDADE X SATURAÇÃO

Júlio Puschel, analista do Yankee Group, acredita que "sempre há oportunidades, mesmo em mercados saturados, desde que exista um novo modelo de negócio".

Ele estima que, apesar de São Paulo manter um índice médio de teledensidade de 76,61 em cada 100 habitantes, "nas classes de maior renda o índice já deve ter passado dos 100 por cento", o que fará com que as novas operadoras migrem sua atenção a outros públicos.

"A classe C está muito em evidência hoje, mas algumas iniciativas chegarão até à classe D", diz o analista.

Segundo Puschel, "as operadoras ainda não trabalharam o potencial da classe D", que têm um público com comportamento de compra diferente, mas com potencial, na sua avaliação.

"Com duas novas operadoras, existe a possibilidade desse segmento ingressar no celular, principalmente se tiver possibilidade de carregar créditos de menor valor e por um prazo maior", ponderou o analista.

Para ele, a entrada das duas novas companhias não deve mudar o ranking das três grandes operadoras, que hoje é, respectivamente, Vivo, TIM e Claro, em número de clientes.

Ele defende, inclusive, que as novas em São Paulo tenham uma estratégia "alternativa" em vez de tentar "bater de frente" com as grandes do setor.

"A Oi até tem um certo fôlego para brigar por tarifa, mas não tanto quanto uma América Móvil ou uma Telefónica", disse Puschel, citando a controladora da Claro e uma das sócias da Vivo.

Já a "aeiou" precisa, na avaliação de Puschel, definir melhor sua estratégia. A companhia anunciou à imprensa recentemente que terá preços bastante agressivos, de menos da metade que os atualmente praticados, mas um foco no público jovem e uma operação baseada na Internet.

O analista do Yankee Group lembra que a Internet só atinge 30 a 40 por cento da população brasileira e que o jovem não está tão preocupado assim com preço. Ele prefere modelos de celular inovadores e conteúdos diferenciados, enquanto a nova tele só vai vender chips.

"É sempre bom ter operadoras que desafiam o mercado, mas falta uma definição estratégica e foco em um determinado nicho", disse ele.

PRESSÃO NA VIVO

Como é a maior operadora em número de clientes, a Vivo deve sentir com maior intensidade o impacto da chegada de duas novas concorrentes, ainda que se mantenha na primeira posição, segundo os analistas.

Luciana Leocadio, analista da Ativa Corretora, por exemplo, acredita em aumento dos índices de desistência (churn) e das despesas com vendas e retenção de clientes na Vivo.

Com isso, as margens Ebitda da companhia ficarão mais pressionadas. Ela estima um índice de 25,8 por cento de margem Ebitda em 2009, enquanto para este ano projeta 26,7 por cento.

Além disso, a analista também projeta, em um relatório divulgado à imprensa, que o total de adições líquidas de clientes da Vivo seja reduzido ao longo dos próximos anos.

Em 2008, a estimativa da analista é que a Vivo adicione 6,147 milhões de assinantes, com alta de 25,5 por cento sobre 2007. O número, entretanto, deve cair pela metade em 2009, para 3,328 milhões.

Em 2010, ela projeta nova queda, de algo como 52 por cento, para uma adição líquida de 1,553 milhão de novos clientes.

De qualquer forma, o relatório da Ativa espera que a Vivo mantenha uma receita média por usuário relativamente estabilizada, em pouco mais de 29 reais mensais, e uma participação de mercado também estável, em 28 por cento a partir de 2010.

Edição de Renato Andrade

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