22 de Fevereiro de 2008 / às 01:00 / 10 anos atrás

Vivo busca aumento de margem após ganho de eficiência

Por Renata de Freitas e Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - 2007 foi o ano em que a Vivo menos sofreu perda de mercado, ao mesmo tempo em que conseguiu reduzir o custo de aquisição de clientes pela aposta nos canais próprios de distribuição. Esse ganho de eficiência, avalia o presidente da empresa, Roberto Lima, vai se refletir em aumento da margem de lucro operacional.

"Daqui para frente, é buscar margem", afirmou a jornalistas o executivo-chefe da maior operadora de telefonia móvel do país, após ter divulgado nesta quinta-feira resultado do quarto trimestre --lucro líquido de 28,3 milhões de reais.

No resultado do ano, a Vivo registrou em 2007 um prejuízo de 99,4 milhões de reais.

A comparação trimestral e anual com o resultado líquido de 2006 fica prejudicada por causa de crédito fiscal de 740 milhões de reais e reversão de Pis e Cofins de 136 milhões de reais gerados na simplificação da estrutura do grupo naquele ano. No quarto trimestre de 2006, a Vivo teve lucro de 885,6 milhões de reais e ganho de 16,3 milhões de reais naquele ano.

Operacionalmente, a Vivo conseguiu em 2007 aumentar em quase 21 por cento a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), chegando a 3,13 bilhões de reais. A margem Ebitda avançou 1,4 ponto percentual de um ano para o outro, alcançando 25,1 por cento.

Embora tenha se recusado a dar uma meta para a margem Ebitda em 2008, Lima comentou que gostaria de ficar acima de 25 por cento. No quarto trimestre de 2007, a operadora chegou a 26,9 por cento, considerando-se Ebitda de 908,3 milhões de reais, mas ainda 2,3 pontos abaixo da margem do último trimestre de 2006.

MAIOR EM 2008

O executivo destacou a redução de 10,4 por cento no custo de aquisição de clientes decorrente dos preços mais competitivos em aparelhos com a tecnologia GSM --adotada no ano passado pela operadora após anos apostando exclusivamente no CDMA-- e também do crescimento de 25 por cento nas ativações feitas em lojas próprias, quando não é preciso pagar comissão aos varejistas.

A Vivo fechou 2007 com 33,48 milhões de clientes (11 milhões GSM), aumento de 15 por cento sobre o ano anterior, quando havia feito uma "limpeza" dos usuários inativos da base. Na sua área de atuação, a operadora tem fatia de 36,7 por cento, mas cai para 27,7 por cento em todo o país em decorrência de não atuar em alguns Estados.

Segundo Lima, com a compra da Telemig Celular, que deve estar concluída entre final de março e início de abril, a fatia da Vivo saltará para 32 por cento em todo o país. A empresa também vai se lançar nos seis Estados do Nordeste onde ainda não tem presença --Alagoas, Ceará, Paraíba, Piauí, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

"O Nordeste é a região que tem a maior taxa de crescimento, mas não pensamos em conquistar esse mercado muito rápido", admitiu o executivo, alertando que seria muito elevado o custo de replicar nacionalmente o market-share da área de atuação atual.

Nesses Estados do Nordeste, a Vivo iniciará a rede do zero. Além disso, planeja o lançamento do serviço 3G na frequência de 2.100 Mhz que adquiriu em leilão promovido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas observou que essa aposta não será o foco exclusivo da operadora no ano.

Para executar esses projetos, o investimento da Vivo em 2008 deve superar o 1,9 bilhão de reais do ano passado. O montante ainda tem de ser aprovado em assembléia de acionistas e não foi divulgado.

A empresa informou que tem garantidas já tranches de empréstimos que somam aproximadamente 1,5 bilhão de reais, além de caixa de 2,2 bilhões de reais. Terá que fazer o desembolso líquido de pouco mais de 1 bilhão de reais pela Telemig, além de ofertas públicas decorrentes da aquisição. O formato de pagamento das licenças para a Anatel não foi esclarecido.

Outra decisão que ajudará o caixa da Vivo será a não-renovação do contrato de "management fee" pago aos controladores, que vence em agosto. No ano passado, o desembolso foi da ordem de 170 milhões de reais.

Lima disse estar muito confortável com a disponibilidade de caixa. "A empresa continua com ambição, e todas as oportunidades que aparecerem vamos analisar", declarou. "O que não quer dizer que vamos levantar recursos a qualquer custo", disse. A dívida líquida da empresa era de 2,6 bilhões de reais no final de 2007, redução de 27,4 por cento no ano.

A receita líquida somou 12,49 bilhões de reais, 14,2 por cento acima do obtido em 2006. No quarto trimestre, foi de 3,37 bilhões de reais, crescendo 14,8 por cento sobre o mesmo período de 2006.

A receita média por assinante (Arpu, na sigla em inglês) teve variação positiva de 1,6 por cento no trimestre passado em relação ao ano anterior, para 31,1 reais. Os dados representaram 9,6 por cento da receita líquida de serviços de 2007, ou 883 milhões de reais.

Às 13h16, as ações preferenciais da Vivo exibiam alta de 2,4 por cento na Bolsa de Valores de São Paulo, negociadas a 10,32 reais, enquanto o Ibovespa tinha valorização de apenas 0,07 por cento.

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