22 de Abril de 2008 / às 14:26 / 9 anos atrás

Presidente da Samsung é afastado do cargo por escândalo fiscal

<p>O presidente do conselho do Samsung Group, Lee Kun-hee, fala durante coletiva na sede da empresa, em Seul. O executivo mais poderoso da Cor&eacute;ia do Sul afirmou nesta ter&ccedil;a-feira que est&aacute; deixando o cargo ap&oacute;s 20 anos &agrave; frente do gigantesco Samsung Group, ap&oacute;s incidente na semana passada envolvendo evas&atilde;o de impostos e viola&ccedil;&atilde;o. Photo by Jo Yong-Hak</p>

Por Jon Herskovitz

SEUL (Reuters) - O executivo mais poderoso da Coréia do Sul afirmou nesta terça-feira que está deixando o cargo após 20 anos à frente do gigantesco Samsung Group, após incidente na semana passada envolvendo evasão de impostos e violação.

O anúncio de Lee Kun-hee, 66, que durante a carreira foi ganhando status de herói por seu papel no crescimento da Samsung, veio como um choque mesmo em uma sociedade habituada a ver seus executivos envolvidos com os tribunais.

Analistas apontam, entretanto, que Lee e sua família ainda controlam o maior conglomerado do país, algumas vezes apelidado de "República da Samsung" e cujas dúzias de afiliadas correspondem por cerca de 20 por cento das exportações da Coréia do Sul.

"Eu deixo o cargo de presidente do conselho da Samsung neste momento. Estou triste uma vez que há muito a ser feito e um longo caminho a ser percorrido", falou um inexpressivo Lee em breve comunicado transmitido ao vivo pela TV.

O grupo irá desmantelar seu poderoso escritório de planejamento, que críticos afirmam ser uma organização nebulosa capaz de espalhar sua influência por cerca de 60 afiliadas, incluindo a Samsung Electronics, líder mundial em chips de memória e fabricação de telas planas.

"Não vejo nada além de uma mudança das pessoas no cargo. Não há nenhuma mudança real, a família Lee continua no comando", afirmou Oh Suk-tae, economista do Citibank.

Quatro outros executivos do alto escalão também deixaram seus cargos, incluindo os presidentes-executivos da Samsung Fire, Marine Insurance e Samsung Securities.

O grupo possui mais de 250 mil funcionários pelo mundo e receita anual de 160 bilhões de dólares, aproximadamente o tamanho do PIB de Cingapura.

Um promotor especial lançou em janeiro uma investigação sobre alegações de corrupção depois que um grande executivo jurídico da Samsung afirmou que algumas de suas administrações escondiam dinheiro e ocultavam fundos para subornar políticos, promotores e outras autoridades.

O promotor indiciou outros nove executivos da Samsung. Mas não encontrou evidências para corroborar a alegação de suborno.

Caso seja considerado culpado por evasão de impostos, Lee pode receber pena de reclusão por 5 anos ou até prisão perpétua.

Reportagem adicional de Kim Yeon-hee, Marie-France Han, Yoo Choonsik, Lee Jiyeon e Rhee So-eui

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