SAIBA MAIS-Comprar telefone demorava 3 anos na era estatal

terça-feira, 1 de julho de 2008 14:23 BRT
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Dez anos depois da privatização da telefonia, poucos se lembram da maratona necessária para se adquirir uma linha telefônica no Brasil na era estatal, em que um telefone fixo custava mais de 1 mil reais e um celular até 4 mil dólares. Veja a seguir dados sobre o mercado brasileiro:

-- Em 1997, um interessado em linha fixa no Brasil precisava se cadastrar junto a uma telefônica local para o plano de expansão e esperar, em média, entre dois e três anos. Era necessário também pagar uma taxa que, em boa parte do país, era superior a 1.100 reais. O valor era devolvido em ações da Telebrás, a estatal nacional de telecomunicações criada em 1972, durante o regime militar.

-- A demora na instalação movimentava um imenso mercado paralelo de venda e aluguel de linhas. Quem se dispusesse a pagar entre 1,5 mil reais e 3,2 mil poderia conseguir a linha mais rapidamente no mercado paralelo. O aluguel era muito utilizado por pequenas e médias empresas que tinham dificuldade em ter mais de uma linha.

-- Conseguir uma linha móvel também não era tarefa das mais fáceis. Houve casos de clientes que esperaram mais de três anos para ter um celular, cuja habilitação podia chegar a 4 mil dólares. Os nomes inscritos eram sorteados pela operadora.

-- Em 1997, antes da privatização, o Brasil tinha 17 milhões de linhas fixas em serviço e 4,5 milhões de telefones celulares, segundo números da Anatel. Na época, a população brasileira era de cerca de 160 milhões de habitantes.

-- Até maio deste ano, o total de linhas fixas está em 42 milhões e a base celular disparou para 130 milhões. Enquanto isso, a população do país subiu a 188 milhões.

-- As empresas de telecomunicações respondiam por 71,7 por cento do volume médio diário negociado na Bovespa em junho de 1998, participação que caiu para 4,4 por cento do volume diário em junho deste ano--uma fração de 6 por cento do que era, de acordo com a consultoria Economática.

-- Brasília foi a primeira cidade do país a enfrentar competição entre o celular privado e o estatal, em novembro de 1997. Com a chegada da Americel, por parte de um consórcio privado, a estatal Telebrasília teve de baixar o preço de habilitação de celular, na época de 330 reais, para algo como 100 reais a preços atuais.

-- Em pleno processo de privatização, em abril de 1998 falece o ministro das Comunicações responsável por elaborar o modelo, Sergio Motta, vítima de uma infecção pulmonar. A venda das estatais de telefonia acabou a cargo do então presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, que ocupou o Ministério após passagem do secretário executivo Juarez Quadros.