Hacker britânico luta contra extradição para os EUA

segunda-feira, 22 de outubro de 2007 14:13 BRST
 

LONDRES (Reuters) - Um especialista britânico em computadores, acusado por Washington da "maior invasão a computadores militares de todos os tempos", recebeu permissão na segunda-feira para levar ao mais alto tribunal do Reino Unido sua luta contra a extradição para os Estados Unidos.

Gary McKinnon foi detido em 2002 depois de acusações de promotores públicos norte-americanos de que ele havia obtido acesso ilegal a computadores do governo --entre os quais máquinas do Pentágono, exército, marinha e aeronáutica e da NASA, causando prejuízos no valor de 700 mil dólares.

Um tribunal distrital decidiu em maio de 2006 que ele deveria ser extraditado, uma decisão sustentada em abril pela alta corte de Londres. No entanto, na segunda-feira três dos mais importantes juízes britânicos deram permissão a McKinnon para que leve seu caso à Câmara dos Lordes.

Os advogados de McKinnon argumentam que enviá-lo aos Estados Unidos constituiria uma violação de seus direitos humanos, um abuso dos procedimentos judiciais ingleses e que deveria ser negada porque sua extradição havia foi solicitada "com o propósito de persegui-lo por sua nacionalidade ou opiniões políticas".

Entre fevereiro de 2001 e março de 2002, usando seu computador, em Londres, McKinnon obteve acesso não autorizado a 97 computadores pertencentes ao e usados pelo governo dos Estados Unidos.

Ele está sendo acusado de causar a queda de toda a rede do distrito militar de Washington, parte do exército norte-americano, envolvendo mais de dois mil computadores, por 24 horas.

No momento de seu indiciamento, Paul McNulty, procurador federal norte-americano para o distrito leste da Virgínia, disse que "McKinnon está sendo acusado da maior invasão de computadores militares de todos os tempos".

Em entrevista à Reuters no ano passado, McKinnon disse que ele era apenas uma pessoa interessada em computadores e em descobrir se alienígenas e objetos voadores não identificados realmente existiam.

Se considerado culpado nos Estados Unidos, ele pode ser condenado a até 70 anos de prisão e multas de até 1,75 milhão de dólares.