24 de Fevereiro de 2008 / às 19:58 / 10 anos atrás

Microsoft abre parte de seus programas em mudança de estratégia

Por Daisuke Wakabayashi

REDMOND, Estados Unidos (Reuters) - A Microsoft, que está enfrentando as autoridades regulatórias européias e clientes em dificuldades com sistemas complexos, anunciou na quinta-feira que divulgará informações críticas para permitir que programas rivais funcionem melhor com o Windows, Office e outros softwares importantes que vende.

A maior produtora mundial de software vai liberar o acesso às informações que guiam a conexão de seus softwares com outros programas, chamadas de APIs e que são consideradas como vantagem inerente da empresa por autoridades antitruste que investigam as práticas comerciais da companhia.

A nova estratégia da Microsoft é vista como maneira de evitar futuras batalhas com as autoridades regulatórias da Europa, Ásia e Estados Unidos, que há muito vêm acusando a empresa de utilizar sua posição dominante a fim de ingressar em novos setores de negócios e forçar a saída de concorrentes.

A Microsoft afirma ter publicado 30 mil páginas de documentação sobre o Windows que anteriormente só estavam disponíveis para quem obtivesse uma licença de utilização de segredos comerciais. A companhia também prometeu licenciar patentes cobrando taxas de royalties moderadas e sem discriminação.

A empresa acrescentou que adotará outras medidas, de maneira a atender a todas as exigências das autoridades regulatórias européias. Apesar disso, a Comissão Européia declarou que as medidas anunciadas na quinta-feira não resolvem uma questão crucial sobre a maneira pela qual os produtos da Microsoft se interligam, e afirmou que a empresa já havia feito promessas semelhantes no passado.

MICROSOFT MAIS PRÓXIMA DE SISTEMAS ABERTOS

As decisões da Microsoft aproximam a empresa da tendência de desenvolvimento de software que está tomando impulso na Internet e se baseia em criar novos programas utilizando partes de aplicativos existentes. Companhias de Internet como o Google e o Facebook adotam esses sistemas abertos e o mesmo se aplica ao software desenvolvido cooperativamente, como o Linux.

A Microsoft afirmou que os clientes desejam que todos os sistemas de computação sejam capazes de operar uns com os outros, independente se são executados sobre Windows ou Linux. Os clientes também querem transmitir e compartilhar informações e dados facilmente entre diferentes sistemas.

O presidente-executivo da Microsoft, Steve Ballmer, que definiu o impacto financeiro das medidas adotadas quinta-feira como "relativamente mínimo", reconheceu que a Microsoft pode perder algum mercado como resultado dessas políticas, mas disse que aquilo que é bom para os consumidores em última análise será bom para a companhia.

"O sucesso da Microsoft em longo prazo depende de nossa capacidade de oferecer uma plataforma de software e serviços aberta e flexível, e de propiciar liberdade de escolha aos nossos clientes", disse ele.

A Microsoft foi criticada por excluir concorrentes ao incorporar de maneira muito estreita ao Windows componentes como seu player de mídia. A empresa também foi acusada de manter em segredo detalhes sobre produtos que criadores rivais de software precisam para garantir operação correta de seus produtos com o Windows e outros produtos da gigante.

Em um exemplo citado pela Microsoft, agora se tornará mais fácil para criadores externos de software desenvolverem um aplicativo de email para concorrer com o Office Outlook, porque eles dispõem das mesmas informações que os engenheiros da Microsoft sobre como se conectar ao servidor Microsoft Exchange.

EUROPA QUER MAIS

Em setembro, um tribunal da União Européia manteve uma decisão história que determinou que a Microsoft abusou de sua posição dominante no mercado de sistemas operacionais.

O tribunal aprovou as sanções da União Européia contra a Microsoft por integrar aplicativos e se recusar a fornecer a produtores de software servidor informações que permitiriam que seus produtos trabalhassem facilmente com o Windows.

As autoridades regulatórias européias dizem que o anúncio da Microsoft na quinta-feira se assemelha a promessas que a empresa fez no passado. A Microsoft afirmou que se trata de um avanço significativo e informou que já tinha publicado documentação importante em seu site.

"O anúncio não se relaciona à questão da Microsoft ter ou não seguido as regras antitruste da União Européia nessa área, no passado", afirmou a União na quinta-feira.

Em janeiro, a Comissão Européia lançou nova investigação antitruste sobre a empresa, para determinar se ela violou as normas de defesa da competição para ajudar na disseminação entre os usuários de seu browser e seus produtos Office e Outlook.

Reportagem adicional de Duncan Martell em San Francisco e Peter Henderson em Los Angeles

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