ESPECIAL-Indústria celular corre para acompanhar demanda do país

quarta-feira, 28 de maio de 2008 11:37 BRT
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Enquanto o número de usuários de celular no Brasil continua avançando com força, os fabricantes de aparelhos procuram adaptar sua produção à demanda crescente e ao real fortalecido, sem perderem contratos de exportação. Nem sempre, entretanto, conseguem.

A Nokia, maior fabricante mundial de celulares, estabeleceu prazo até meados de junho para decidir se terá de fazer um investimento no aumento da produção brasileira, apesar de promover eficiências operacionais para conseguir atender aos mercados local e de exportação com a mesma estrutura.

Segundo Mauro Correia, diretor geral da fábrica da Nokia em Manaus (AM), do primeiro semestre de 2007 até o momento, a companhia já elevou a produção da unidade em 70 por cento, sem compra de máquinas.

Segundo ele, com esse trabalho e os três turnos de operação, a companhia não precisou redirecionar contratos de exportação para o mercado interno. A empresa, que não divulga números precisos de produção de aparelhos, mantém política de abastecer 85 por cento do consumo do país de aparelhos Nokia com a fábrica de Manaus.

Para o segundo semestre, entretanto, período que tradicionalmente tem demanda mais aquecida, a Nokia pode rever a estratégia. "Até o meio de junho a companhia deve decidir se terá de aumentar a produção", afirmou Correia à Reuters, acrescentando que janeiro, mês normalmente mais fraco, fugiu à regra este ano.

De acordo com os números da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em janeiro o país adicionou 1,88 milhão de novos assinantes de celular, número próximo ao registrado em abril e que representa 135 por cento de crescimento sobre janeiro de 2007.

No mês passado, a base aumentou em 1,93 milhão de usuários, número mais de três vezes superior ao registrado um ano antes, fazendo deste o segundo melhor abril nos últimos 10 anos para o segmento, de acordo com a agência. Nos quatro primeiros meses de 2008, o Brasil contabilizava 127,74 milhões de linhas móveis ativas, o que equivale a 66,84 a cada 100 habitantes.

A consultoria Teleco estima que 2008 deve contar com adições líquidas de 25 milhões de linhas celulares, levando a base nacional a 146 milhões, 21 por cento mais que em 2007.   Continuação...