Apesar do câmbio, Motorola quer ampliar exportações no Brasil

terça-feira, 24 de junho de 2008 16:37 BRT
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Apesar do dólar enfraquecido diante do real e da perspectiva de que a moeda norte-americana se mantenha depreciada, a Motorola, hoje a maior exportadora de celulares do país, pretende manter no mínimo estável a receita das vendas externas.

Segundo o presidente da subsidiária brasileira da companhia, Enrique Ussher, "o dólar é um desafio constante", mas a unidade da empresa, instalada em Jaguariúna (SP), tem se adaptado.

De acordo com o executivo, "o dólar está enfraquecido mundialmente" e, por isso, a companhia tem se empenhado em manter os custos sob controle e a produtividade em alta para não reduzir a receita gerada com vendas externas de aparelhos.

A fábrica de Jaguariúna é considerada a plataforma de exportação da Motorola e, por isso, a empresa não tem planos de reduzir o volume exportado a partir daqui, mesmo com a moeda desfavorável.

Segundo dados da própria empresa, em 2007 a Motorola exportou o equivalente a 1,33 bilhão de dólares em celulares a partir de Jaguariúna. "Cresceu pouco sobre o ano anterior, foi quase estável", afirmou Ussher à Reuters.

Nos cinco primeiros meses de 2008, a fabricante novamente conseguiu uma ligeira elevação. O faturamento com exportações foi de 531 milhões de dólares, com o acréscimo de 1 milhão de dólares sobre os 530 milhões gerados no mesmo intervalo de 2007.

No mesmo período, a indústria como um todo gerou 885 milhões de dólares com a venda externa de celulares, mas o montante representa queda de 1 por cento sobre a receita do mesmo período do ano passado, segundo números divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Os números da entidade mostram que a Motorola respondeu por 60 por cento das exportações de telefones móveis de todo o país entre janeiro e maio.

A Abinee também mostrou que a importação de aparelhos triplicou no período, para 285 milhões de dólares, mas Ussher salientou que "a estratégia da Motorola não é importar o celular pronto", com exceção de aparelhos que ainda não tenham escala econômica suficiente para serem nacionalizados.

A fábrica da empresa foi instalada no Brasil em 1996 e, desde então, os investimentos somam 550 milhões de dólares, de acordo com a Motorola.