Novo material pode melhorar economia de combustível

sexta-feira, 25 de julho de 2008 12:16 BRT
 

Por Julie Stenhuysen

CHICAGO (Reuters) - Um novo e altamente eficiente material que converte calor em eletricidade pode um dia ajudar os carros a melhorar a quilometragem obtida por litro de gasolina, anunciaram pesquisadores norte-americanos na quinta-feira.

Apenas cerca de 25% da energia produzida por um motor a gasolina típico é usada para movimentar o veículo ou operar acessórios como o rádio ou os limpadores de pára-brisa, eles afirmaram. Boa parte do restante se perde pelo cano de escapamento.

Pesquisadores da Ohio State University, em Columbus, e da Caltech, em Pasadena, Califórnia, acreditam que podem reciclar parte dessa energia perdida por meio de um novo material termelétrico duas vezes mais efetivo que os materiais atuais.

"O material faz todo o trabalho. Gera energia elétrica da mesma maneira que os motores convencionais a calor -motores a vapor, a gasolina ou diesel- que são acoplados a geradores elétricos, mas emprega elétrons como seu fluido de trabalho, em lugar de água ou gases, e gera eletricidade diretamente", anunciou em comunicado o diretor do projeto, Joseph Heremans.

Jeff Snyder, da Caltech, que trabalhou no projeto, informou que um dispositivo termelétrico que converta o calor do escapamento em eletricidade poderia melhorar em 10 por cento a eficiência de um automóvel quanto ao uso de combustível.

Synder, que no passado desenvolvia aparelhos como esses para o Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, disse que a idéia de usar sistemas termelétricos existe desde sempre, mas que seus aspectos econômicos não faziam sentido com o petróleo cotado a US$ 20 por barril.

"Agora que os custos da energia quintuplicaram, essas idéias alternativas que existiam há um bom tempo se tornaram mais viáveis", disse Snyder em entrevista por telefone.

Ele acredita que esses sistemas como esses poderiam estar em uso dentro de cinco a 10 anos.

Determinar se eles ganharão popularidade, disse Snyder, dependerá do custo do sistema e do mercado de energia. Fabricados em larga escala, Snyder diz que eles poderiam ter custo unitário de menos de 10 dólares.