Microsoft ganha força na luta contra pirataria na China

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007 14:41 BRST
 

Por Sophie Taylor e Daisuke Wakabayashi

XANGAI/SEATTLE (Reuters) - Durante sua primeira visita oficial aos Estados Unidos em 2006, o presidente chinês Hu Jintao foi jantar na casa do presidente do Conselho da Microsoft, Bill Gates, e levou-lhe um presente.

Pouco antes da visita de Hu a Seattle, o governo chinês emitiu um decreto solicitando que todos os computadores pessoais fabricados na China tivessem um sistema operacional licenciado antes de sair das fábricas.

Agora, quase dois anos depois, o presente continua rendendo. A empresa de software co-fundada por Gates vem colhendo os benefícios de uma política mais rígida sobre propriedade intelectual na China, com queda nos índices de pirataria e melhores resultados em sua divisão Windows.

A China não é o pior país do mundo em termos de pirataria.

Mais de uma dúzia de outros países --incluindo Indonésia e Ucrânia-- possuem índices de pirataria mais altos, segundo estudo da Business Software Alliance e IDC. Contudo, nenhum desses países oferece o que a China promete: o segundo maior mercado mundial de computadores pessoais, crescendo mais de 10 por cento ao ano.

Os índices de pirataria de software na China caiu para 82 por cento em 2006, ante 90 por cento em 2004, segundo o estudo.

"Na China, onde a pirataria é uma forma de lidar com software, qualquer dinheiro irregular que a Microsoft volte a contalibizar é muito importante", disse Kim Caughey, gerente de portfólio e analista sênior do Fort Pitt Capital Group.

Reduzir a pirataria de software e vender versões mais caras do Windows são formas que a Microsoft encontrou de gerar aumento nas vendas acima do crescimento geral do mercado de computadores, uma tarefa difícil já que a fatia de mercado da empresa é de torno de 90 por cento.

O sistema operacional Windows é o produto mais lucrativo da Microsoft, com uma margem operacional acima de 80 por cento.

"Cada cópia pirata que a Microsoft converte em cliente pagante aumenta o lucro líquido da empresa", afirmou o analista Toan Tran, da Morningstar. "(A redução da pirataria) pode ter um efeito drástico em sua margem de lucro", completou.