Escolha de conselho na Telecom Italia segue regras de governança

quarta-feira, 26 de março de 2008 18:20 BRT
 

MILÃO (Reuters) - Os principais acionistas da Telecom Italia mostram pouca preocupação com as regras do Banco da Itália, banco central daquele país, em relação a conflito de interesse para membros do conselho de administração nas suas escolhas durante as reuniões de empresas de telecomunicações.

No início deste mês, o Banco da Itália sugeriu que os conselheiros vindos de bancos não assumam posição executiva em companhias onde a instituição financeira tenha uma participação estratégica --ou acima de 10 por cento.

O consórcio Telco, que detém 24,5 por cento da Telecom Italia desde o ano passado, após a compra da holding Olimpia, pertence aos bancos italianos Intesa Sanpaolo e Mediobanca, ao lado da seguradora Generali, da empresa espanhola Telefonica e da holding da família Benetton, a Sintonia.

O grupo tem feito poucas alterações nos nomes propostos para o conselho de administração da Telecom Italia, segundo fontes próximas à companhia nesta quarta-feira. O Mediobanca, mais conhecido banco de investimento da Itália, propôs o nome de Renato Pagliaro, presidente executivo do conselho do banco, e de Tarak Ben Ammar, diretor independente, para o conselho da operadora, segundo as fontes.

O Intesa Sanpaolo deve indicar Gaetano Micciche, chefe da divisão corporativa e de investimento do banco, e Elio Catania, que ocupa um dos assentos de seu conselho, para as vagas na empresa de telecomunicações.

As regras do Banco da Itália são abertas a interpretações e, embora o consórcio Telco tenha bem mais de 10 por cento da Telecom Italia, o Mediabanca e o Intesa Sanpaolo tem, cada um, 10,6 por cento do consórcio, o que lhes dá uma participação bem menor na empresa de telefonia. O consórcio vai indicar 12 dos 15 membros do conselho da Telecom Italia, enquanto as demais três vagas ficarão com os acionistas minoritários.

No Brasil, o órgão regulador das telecomunicações (Anatel) impôs um conjunto de 28 restrições para dar seu aval à compra da Telecom Italia pelo consórcio Telco, já que a Telefonica controla 50 por cento da brasileira Vivo e a Telecom Italia detém a totalidade do controle da TIM, respectivamente primeira e segunda colocadas em número de assinantes de telefonia celular no Brasil.

(Por Jo Winterbottom)