August 29, 2008 / 4:11 PM / in 9 years

Teles se armam para atrair cliente das rivais com portabilidade

5 Min, DE LEITURA

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - A portabilidade numérica começa a ser implantada no Brasil na próxima segunda-feira e vai exigir um duplo empenho das operadoras fixas e móveis: evitar perder clientes para a concorrência e até atrair os assinantes das rivais para sua base.

Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), algo como 97 milhões de brasileiros, ou 52 por cento da população, habitam municípios onde existe mais de uma operadora de telefonia fixa, situação que poderá estimular a adoção da portabilidade.

Na telefonia celular, entretanto, há pelo menos três operadoras em todo o Brasil. Como perto de 80 por cento dos assinantes de celular, entretanto, possuem modelos pré-pagos, não se espera grande impacto com a possibilidade de trocar de operadora e carregar o número, já que esses assinantes não estão presos a uma determinada empresa.

A agência esclareceu, entretanto, que mesmo que uma localidade não tenha mais de uma operadora de telefonia, a rede da concessionária da região terá de estar preparada para a portabilidade porque uma outra concorrente pode surgir no futuro.

O assinante poderá pedir para manter o número cada vez que quiser trocar de operadora. Não há limite de vezes para isso, mas ele poderá ser chamado a pagar a taxa de portabilidade definida pela Anatel, de 4 reais, a menos que a operadora para a qual irá migrar decida isentá-lo dessa tarifa para ganhar o cliente.

A adoção do recurso será escalonado por códigos DDD. Na segunda-feira, ele passa a ser oferecido em uma região que compreende cerca de 9 por cento dos assinantes de telefone do país, nas áreas de numeração 14 e 17 (São Paulo), 27 (Espírito Santo), 37 (Minas Gerais), 43 (Paraná), 62 (Goiás), 86 (Piauí) e 67 (Mato Grosso do Sul).

A capital do Rio de Janeiro está no penúltimo bloco de implantação, de acordo com o cronograma, em fevereiro de 2009, enquanto a capital paulista será a última, em março de 2009, assim como as áreas de numeração 53 (Rio Grande do Sul), 64 (Goiás), 66 (Mato Grosso) e 91 (Pará).

Recurso Gratuito

As regras da agência permitem e as operadoras Claro e Oi já declararam: não vão cobrar a taxa definida pela Anatel para que um cliente de outra operadora migre para sua base.

"É um direito básico do cliente", afirmou Erik Fernandes, diretor de marketing da Claro. Segundo ele, "vai vencer na portabilidade quem fez o dever de casa".

Ele afirma que a Claro vem trabalhando para se preparar para esse momento por "no mínimo sete ou oito meses".

A companhia anunciou, nesta semana, planos de tarifa segmentados de acordo com o perfil do público porque, de acordo com o executivo, o trabalho envolveu "ir mais a fundo no conhecimento dos clientes".

Segundo ele, "a Claro está muito segura" com o início da portabilidade porque considera que ele "é um elemento estratégico para a companhia.

"Não faz sentido atrair um cliente para a base e ainda cobrar uma tarifa dele", também afirmou Roderlei Generali, diretor da Oi para o mercado São Paulo.

Segundo ele, a portabilidade vai fazer o mercado mudar por completo. "O que vai valer é ter serviços de qualidade e que atendam às necessidades do cliente".

Ele afirma que a Oi investe há anos para esta situação e que tem conseguido ampliar a participação mesmo em sua atual região de cobertura.

Por isso, o executivo afirmou que sua expectativa "é manter a atual base de clientes e, especialmente no mercado de São Paulo, atrair muitos clientes novos".

A empresa se prepara para ingressar no mercado paulista de celulares até outubro e acredita que, no Estado onde hoje atuam três operadoras, enquanto no restante do país são no mínimo quatro, "a gente vai contribuir para dar uma reviravolta", afirmou.

Em nota, a Embratel afirmou que "com a portabilidade, a competitividade entre as empresas aumentará ainda mais e a Embratel acredita que esse novo momento será positivo para seus negócios, tanto para consumidores finais como para empresas".

Edição de Vanessa Stelzer

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