30 de Julho de 2008 / às 17:41 / 9 anos atrás

ESPECIAL-Teles restringem discussão de balanços com a imprensa

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - As operadoras de telecomunicações, em sua maioria de capital aberto, estão cada vez mais “silenciosas” quando se trata de discutir o balanço de desempenho trimestral com a imprensa.

O exemplo mais recente desse movimento veio da Vivo, que pela primeira vez em pelo menos sete anos não concedeu entrevista coletiva à imprensa em sua sede na data da divulgação, nesta quarta-feira, resolvendo atender a pedidos individuais de jornalistas.

A imprensa ficou restrita a uma participação como “ouvinte” na teleconferência da Vivo com analistas, onde os executivos da operadora evitaram comentar perspectivas para o ano.

“Essa perda de contato é muito ruim porque a imprensa não vai deixar de escrever e pode até ter uma interpretação errada de alguns dados do resultado”, disse à Reuters Eduardo Roche, analista da Modal Asset Management.

No que se refere à divulgação de perspectivas para os demais trimestres, Roche lembra que a decisão de não falar mais “é uma mudança de postura que já vem acontecendo há algum tempo” por parte das operadoras.

A legislação brasileira, no entanto, “não é bem definida” sobre essa questão, na opinião do analista. “A Oi fornecia guidances em todos os balanços há três, quatro anos, mas isso foi mudando”, disse ele. Nos Estados Unidos, porém, “é algo mais que normal” divulgar previsões.

O empenho das operadoras em atender os jornalistas para comentar e tirar dúvidas sobre o balanço era outro no início desta década, quando, por exemplo, companhias de fora de São Paulo --como Brasil Telecom e Telemig Celular -- deslocavam seus executivos até a capital paulista para falar pessoalmente com jornalistas a cada trimestre.

Os encontros na Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) também eram comuns e rendiam, inclusive, prêmios às empresas pela assiduidade com que se dispunham a atender os investidores, encontros onde a presença da imprensa era permitida.

As empresas, no entanto, por conta da consolidação do setor e de estratégias de suas controladoras estrangeiras, estão hoje em menor número e mais fechadas.

A Brasil Telecom, por exemplo, depois de afastar o Opportunity da gestão e de criar uma diretoria de governança corporativa em 2005, passou a realizar teleconferências distintas para analistas e jornalistas, onde estes últimos podiam interagir e fazer perguntas.

Desde o ano passado, entretanto, a companhia, que aguarda mudança na legislação do setor para ter seu controle vendido à Oi, restringiu a divulgação dos resultados a uma teleconferência com analistas, sem espaço para perguntas da imprensa.

SILÊNCIO DAS TELES

A Vivo costumava receber em sua sede, onde a empresa tem um anfiteatro para 290 pessoas, analistas e jornalistas a cada trimestre. Ambos os públicos tinham liberdade para fazer perguntas a boa parte da diretoria. Mas essa política foi restrita.

A assessoria de imprensa da Vivo afirmou que a mudança de postura será um teste porque a operadora sentiu que os encontros com a imprensa “não estavam atendendo aos objetivos de ambas as partes”.

A Embratel Participações, que também chegou a realizar encontros com a imprensa para discutir o balanço, passou ao controle da mexicana Telmex em julho de 2004 e atualmente os contatos com analistas e imprensa são feitos via Telmex Internacional, segundo a assessoria de comunicação.

A Oi, cuja sede fica no Rio de Janeiro (RJ), mantinha o hábito de fazer duas teleconferências, uma com analistas e outra com a imprensa. Mas, no balanço do primeiro trimestre deste ano, como a divulgação aconteceria ao final da sexta-feira do feriado de 1o de Maio, a empresa optou por não abrir espaço às dúvidas da imprensa.

Neste trimestre, a operadora ainda não definiu como será a divulgação, que acontece na próxima quinta-feira, após o fechamento dos mercados.

Uma exceção no movimento de reduzir a participação da imprensa na discussão do balanço é a Claro que, mesmo com capital fechado no Brasil, realiza encontros trimestrais com os jornalistas brasileiros assim que a controladora América Móvil divulga seus resultados.

O regulamento para companhias de capital aberto não cita um tratamento específico para a imprensa. As instruções 202 e 358 da CVM regulamentam a divulgação de resultados e fatos relevantes. A companhia aberta deve divulgar simetricamente toda informação aos investidores e aos jornalistas, mas promover ou não encontros com a imprensa fica a critério de cada empresa, explica a assessoria de imprensa da autarquia.

Edição de Alberto Alerigi Jr.

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