30 de Julho de 2008 / às 17:46 / em 9 anos

Nano-alimentos: o próximo alvo de medo dos consumidores?

Por Barbara Liston

ORLANDO, Estados Unidos (Reuters) - Os consumidores que já estão preocupados com alimentos clonados ou alterados por engenharia genética podem em breve descobrir mais uma variante de produtos polêmicos em seus carrinhos de supermercado: os nano-alimentos.

Defensores dos consumidores que participaram de uma conferência sobre segurança alimentar em Orlando, nos Estados Unidos, esta semana, disseram que alimentos produzidos com o uso da nanotecnologia estão chegando rapidamente ao mercado, e eles desejam que as autoridades dos EUA forcem os fabricantes a identificá-los claramente.

A nanotecnologia envolve o projeto e manipulação de materiais em escala molecular, menor que a espessura de um cabelo humano e invisível a olho nu. As empresas que utilizam a nanotecnologia dizem que ela pode reforçar o sabor ou efetividade nutricional de um alimento.

Funcionários do setor de saúde norte-americano preferem não usar alertas em rótulos de produtos a menos que existam razões claras para preocupação ou cautela. Mas os defensores dos consumidores dizem que a incerteza quanto às conseqüências à saúde desses produtos basta para justificar a identificação dos nano-alimentos.

“Acredito que a nanotecnologia seja a nova engenharia genética. As pessoas simplesmente não sabem o que está acontecendo, e ela se movimenta com grande rapidez”, disse Jane Kolodinsky, economista especializada em assuntos de consumo na Universidade de Vermont, durante a conferência, de acordo com a Reuters Health.

Hansen disse que o público pouco sabe sobre os alimentos produzidos com nanotecnologia.

Novos bens de consumo criados por nanotecnologia estão chegando ao mercado à razão de três ou quatro por semana, de acordo com um grupo chamado Project on Emerging Nanotechnologies (PEN), com base em um inventário de mais de 609 produtos nanotecnológicos identificados ou com suspeita de usarem a ciência.

Os produtos de nanotecnologia que estão em uso comum hoje incluem leves raquetes de tênis e bicicletas, além de filtros solares que contêm versões transparentes, e não brancas, de óxido de zinco e dióxido de titânio.

Também incluem batons e muitos itens identificados como antibióticos que contêm íons de prata, tais como meias, máquinas de lavar, misturadores de salada e recipientes para alimentos.

Na lista da PEN existem três alimentos --uma marca de óleo de cozinha feito a partir de canola chamada Canola Active Oil, um chá chamado Nanotea e uma bebida dietética sabor chocolate chamada Nanoceuticals Slim Shake Chocolate.

De acordo com informações sobre a empresa postadas no site da PEN, o óleo de canola produzido pela Shemen Industries, de Israel, contém um aditivo conhecido como “nanogotas”, projetado para carregar vitaminas, minerais e fitoquímicos pelo sistema digestivo.

A bebida dietética, de acordo com sua fabricante, a RBC Life Sciences, dos EUA, usa “nanonúcleos” para reforçar o sabor e os benefícios de saúde do cacau sem a necessidade de açúcar extra.

O chá, diz a Shenzen Become Industry & Trade, da China, que responde por sua fabricação, é preparado com nanotecnologia para “liberar efetivamente todas as excelentes essências do chá” e reforçar por um fator de 10 a “função de suplemento de selênio”.

Hansen, cuja organização publica a Consumer Reports, uma revista sem fins lucrativos que se dedica a testar bens de consumo, disse que não existem requerimentos para que os produtos criados com nanotecnologia sejam assim identificados.

Ele pediu por regulamentação federal mais forte que exija identificação e testes de segurança.

“Só porque alguma coisa é segura em nível macro, não significa que seja segura em nível nano”, disse Hansen. “Todos os cientistas concordam em que tamanho faz diferença.”

Hansen disse que estudos recentes demonstraram que partículas de dimensões nanoscópicas em alguns casos podem invadir células e romper a barreira entre o cérebro e o sangue, e que algumas formas de carbono produzido com nanotecnologia podiam ser tão prejudiciais quanto a fibra de amianto, caso inaladas em larga quantidade.

“Isso representa ciência de ponta. Tecnologias como essas suscitam questões científicas básicas”, disse Hansen.

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