Distribuidora da Cisco levaria esquema a outros países--Receita

quarta-feira, 31 de outubro de 2007 20:33 BRST
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - A Receita Federal tem indícios de que a distribuidora Mude estudava uma forma de exportar para outros países suposto esquema fraudulento de importação de equipamentos da Cisco Systems para redes corporativas, que era praticado no país há pelo menos cinco anos. A informação é do coordenador-geral de Pesquisa e Investigação da Receita Federal, Gerson Schaan.

Investigação conjunta da Receita Federal e da Polícia Federal desmantelou, em meados de outubro, esquema pelo qual foram importados da multinacional norte-americana Cisco pelo menos 500 milhões de dólares em equipamentos que teriam sido subfaturados, com sonegação de impostos.

A principal parceira da Cisco no Brasil é a distribuidora Mude, que está sob investigação. Procurada pela Reuters, a empresa não quis comentar o assunto.

"Nós sabemos que a distribuidora aqui no Brasil que foi alvo (da investigação) já ganhou vários prêmios lá na multinacional pelo desempenho dela. A gente obviamente sabe agora porque esse desempenho era tão bom, porque estava conseguindo vender a mercadoria a preço extremamente competitivo", afirmou Schaan à Reuters.

"A situação era tão boa que eles estavam no processo de levar esse modelo para outros países da América Latina", acrescentou o coordenador, que durante toda a entrevista evitou citar nominalmente as empresas pois a investigação do governo corre sob segredo de Justiça.

Para a Receita, já é claro que a sede da multinacional estava integrada ao esquema fraudulento. Mas o aprofundamento das investigações nos Estados Unidos dependerá das autoridades norte-americanas, afirmou Schaan.

"A nós interessa resolver o problema aqui no Brasil", disse.

De acordo com ele, apenas a fase de triagem dos documentos apreendidos na operação "Persona" demorará de quatro a seis meses. Depois dessa etapa, os auditores da Receita ainda consumirão mais "alguns meses" na fiscalização das empresas.

A Receita estima que o volume total sonegado pela esquema da Cisco possa somar 1,5 bilhão de reais, incluindo multas e juros.