Monja escritora encontra espaço na ficção para celulares

sexta-feira, 26 de setembro de 2008 13:12 BRT
 

Por Naoto Okamura

TÓQUIO (Reuters) - Aos 86 anos, a mais conhecida monja budista do Japão está atingindo um novo público por meio de um romance escrito para distribuição via celular.

Jakucho Setouchi, escritora prolífica e tradutora do "Romance de Genji", uma história épica do século 11, está apanhando carona em uma revolução editorial: trabalhos curtos de ficção distribuídos em trechos via celular muitas vezes se tornam best sellers quando transformados em livros.

"Nessa idade, existem poucas coisas que me interessam. Mas é o meu primeiro romance para celular, e foi emocionante", disse Setouchi, de acordo com um jornal local.

A história, intitulada "O Arco-Íris do Amanhã", trata de uma estudante de segundo grau que fica profundamente magoada pelo divórcio de seus pais, mas encontra o amor de sua vida em um garoto chamado Hikaru.

Até agora, 30 romances para celulares, em geral distribuídos na forma de mensagens de texto e lidos por mulheres adolescentes ou na casa dos 30 anos, saíram como livros, com um total de 10 milhões de cópias vendidas.

O site Wild Strawberry, no qual Setouchi começou a escrever seu mais recente romance, em maio, conta com uma média de 50 mil visitantes diários, disse Shigeru Matsushima, da Starts Publishing Corporation.

Ainda que dirigido a audiências jovens, Setouchi incorporou sutis referências ao "Romance de Genji" em sua história para celular.

Hikaru é o nome do protagonista, e sedutor serial, em "Genji", e Setouchi usa o pseudônimo "Púrpura", tomado de empréstimo ao autor de "Genji", Murasaki Shibiku, nome que significa "funcionário púrpura".   Continuação...