26 de Setembro de 2008 / às 17:37 / em 9 anos

ENTREVISTA-Economia brasileira robusta favorece alemã SAP

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Fusões entre concorrentes brasileiras e cenário volátil nos mercados norte-americano e europeu. O panorama pode não parecer muito favorável para uma companhia alemã de softwares empresariais, mas a SAP, ao contrário, diz não ter do que se queixar.

O executivo Alberto Ferreira, há pouco mais de um ano na presidência da SAP Brasil, afirmou, em entrevista à Reuters, que “o mercado brasileiro tem ajudado bastante”, na medida em que a economia está não só estável, mas robusta para que a própria SAP e as rivais vivam momentos favoráveis.

“O país passou para um outro patamar de robustez”, disse ele, citando que há seis ou sete anos atrás a economia estava bastante atrelada à política e hoje são coisas independentes.

Em relação ao recente anúncio de compra da Datasul pela Totvs, o que fortalece ainda mais a empresa brasileira que hoje lidera o mercado local de softwares de gestão, Ferreira vê mais uma oportunidade do que um problema.

“Posso dizer que minha metade do copo está transbordando. Eles não têm o mesmo produto nem a mesma posição que a SAP”, afirmou.

De acordo com Ferreira, a fusão é normal porque “o mercado tem que se consolidar”, mas em acordos como esse sempre existem clientes que estão insatisfeitos e aproveitam para mudar de fornecedor.

Ele conta, inclusive, que a SAP já conquistou clientes egressos de uma das duas concorrentes após o anúncio da fusão, feito no final de julho. O nome dos clientes, entretanto, foi mantido em sigilo.

Segundo a pesquisa anual sobre o uso de informática nas empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e divulgada em maio deste ano, quando se avalia só o software de gestão (da sigla em inglês ERP), a Totvs liderava o mercado em 2007 com 24 por cento das instalações pesquisadas, enquanto a SAP estava na sequência, com 23 por cento. A Datasul, por sua vez, respondia por 16 por cento dos softwares ERP usados.

RECEITA EM DÓLAR, DESPESA EM REAIS

As oscilações da moeda americana são acompanhadas de perto pelo presidente da SAP Brasil porque a companhia reporta receita em dólares, mas tem despesas em reais. Ferreira afirma, entretanto, que “uma coisa acaba sempre compensando a outra” e, por isso, a subsidiária tem conseguido manter o equilíbrio da operação.

Ainda que não divulgue a receita em reais, Ferreira lembra que, há um ano, quando assumiu a companhia, a SAP Brasil era pouco menos de 40 por cento da receita da América Latina. Hoje, responde por 49,7 por cento.

“Todos os países da América Latina cresceram, mas o salto do Brasil foi maior”, diz.

No primeiro semestre deste ano, por exemplo, a receita da SAP Brasil cresceu 47,3 por cento, em dólares, sobre igual período do ano passado.

O número de contratos, afirma o executivo, cresceu 48,2 por cento no semestre sobre 2007 e mesmo entre as grandes empresas -- nicho que muitos consideravam já coberto pelos softwares de gestão -- a SAP Brasil teve um salto de 98,7 por cento na venda de softwares.

“São empresas que continuam a crescer e a exportar. Por isso, ampliamos as vendas dos softwares que elas já têm e ainda conseguimos negócios em outros softwares”, explicou.

Os segmentos mais aquecidos na demanda por sistemas de gestão e tomada de decisões no Brasil, segundo ele, são o de agronegócio, o setor de produtos de consumo e o de engenharia e construção.

Ele lembra que o bom momento da indústria de construção civil deve continuar a gerar negócios por pelo menos três anos à frente. “Todos esses prédios vão demandar móveis, energia, mão-de-obra”, citou.

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