Na Islândia, os cérebros por trás de próteses de corrida

segunda-feira, 29 de setembro de 2008 11:31 BRT
 

Por Adam Cox

REIKJAVIK (Reuters) - Se parece estranho um homem com as pernas amputadas abaixo do joelho ser um dos mais velozes corredores do planeta, imagine poder digitar simplesmente pensando nas palavras ou se manter bem fisicamente na velhice.

Esse tipo de trabalho prostético é a ocupação da Ossur, a empresa islandesa por trás da prótese responsável por atrair a atenção do mundo para Oscar Pistorius, atleta que teve as duas pernas amputadas e ficou bem próximo de conseguir o tempo necessário para disputar a Olimpíada de Pequim.

Além de produzir membros artificiais cuidadosamente adaptados para mudar as vidas de pessoas deficientes, a única grande fabricante mundial de próteses que tem ações negociadas em bolsa também antecipa o dia em que a robótica e a neurociência poderão mudar as vidas de muito mais pessoas.

"O que devemos fazer é comparar aquilo que desenvolvemos com o corpo real", disse Jon Sigurdsson, presidente-executivo da Ossur. "E quando o fazemos constatamos que ainda resta um longo caminho a percorrer. Tentar imitar Deus é uma experiência que ensina muita humildade."

Com valor de mercado de cerca de 431 milhões de dólares, a empresa ainda é pequena no campo de equipamento médico, mas está posicionada para crescer.

Hilmar Janusson, o vice-presidente de tecnologia, imagina o dia em que próteses poderão ser controladas por nossos nervos em lugar de por sistemas como teclados de computador.

O que é necessário --e Janusson faz com que isso soe quase fácil-- é compreender os sinais que correm pelo nosso sistema nervoso. "Tão logo comecemos a compreender e a basicamente decodificá-los de forma aproveitável, as coisas acontecerão com muito mais rapidez", disse ele.

Trata-se de um objetivo que o mundo acadêmico também vem perseguindo. Em maio, a Universidade de Pittsburgh divulgou que um macaco, com microeletrodos implantados no cérebro, foi capaz de operar mentalmente um braço robotizado para tirar um marshmallow de uma panela e colocá-lo na boca.   Continuação...

 
<p>Oscar Pistorius, da &Aacute;frica do Sul, cruza linha de chegada na frente do norte-americano Jerome Singleton, na final dos 100 metros T44 dos Jogos Para-Ol&iacute;mpicos de Pequim, em 9 de setembro.</p>