Symetrix alia-se a grupo brasileiro em fábrica de chips em SP

quinta-feira, 2 de outubro de 2008 16:44 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A fabricante norte-americana de chips Symetrix montou uma joint-venture com o grupo brasileiro Encalso-Damha para a construção de uma fábrica de semicondutores em São Carlos (interior de SP) que consumirá investimentos de 150 milhões de dólares nos três primeiros anos.

A Symetrix foi fundada na década de 1980 pelo empresário brasileiro Carlos Paes de Araujo e tomou decisão de expandir sua atuação para o Brasil depois que governo federal elegeu o setor de semicondutores como um dos prioritários para o desenvolvimento do país.

Inicialmente, o foco da unidade, que será dividida meio a meio com o grupo Encalso-Damha, é atender o mercado interno com foco em chips de memória do tipo "ferro-elétrica", usadas em bilhetes de metrô e ônibus e rastreabilidade de animais, por exemplo, disse o diretor comercial da joint-venture chamada Symetrix Systems, Ricardo Castello Branco.

A fábrica, que começa a ser construída no segundo semestre de 2009 e deve ficar pronta em meados de 2011, tem previsão de iniciar atividades com capacidade para 100 milhões de chips por ano.

"É mais ou menos o volume do mercado brasileiro hoje. Com isso, o Brasil não teria por que importar os chips tendo uma fábrica aqui. Vamos ter preço e qualidade para competir com produtos da Ásia", disse Castello Branco em entrevista por telefone.

Ele citou como incentivos para o investimento projeto do governo federal em instituir um "RG eletrônico", em que as cédulas de identidade do país serão substituídas por cartões com chips contendo dados dos cidadãos que estão distribuídos atualmente entre vários documentos.

A fábrica utilizará discos de silício (conhecidos como wafers) importados inicialmente para a produção dos chips de memória. "Para um estágio futuro ficaria uma produção local dos wafers, mas isso depende do mercado brasileiro", disse o executivo. "O mercado brasileiro ainda não justifica um investimento deste porte", acrescentou.

A unidade será instalada no Parque Eco-Tecnológico que deve ser lançado em São Carlos no primeiro semestre de 2009. A cidade foi escolhida uma vez que o grupo Encalso-Dahma já possui empreendimentos imobiliários na região que concentra pólos de produção científica em semicondutores, afirmou o executivo.

"Na região temos 8.000 estudantes se formando por ano, mas a gente via os clientes indo embora para outras cidades maiores. A idéia é ter gente trabalhando, morando e tendo lazer no mesmo ambiente", disse o executivo. "Queremos atrair empresas de porte para o parque, para fixar os clientes", acrescentou.

Também num estágio futuro, a joint-venture avaliará produção de outros tipos de memória e também exportação para países como os Estados Unidos, disse Castello Branco.

(Reportagem de Alberto Alerigi Jr.)