October 7, 2008 / 6:59 PM / in 9 years

Na crise de crédito, correntistas correm aos bancos em um clique

5 Min, DE LEITURA

Por Reed Stevenson e Steve Slater

AMSTERDÃ/LONDRES (Reuters) - E se acontecesse uma corrida a um banco e ninguém soubesse? Nos últimos dias, alguns veículos de imprensa dos Estados Unidos vêm concentrando suas atenções na "corrida silenciosa" ao banco Wachovia, que está sendo comprado, depois que um plano de resgate entrou em colapso e seu rival, Washington Mutual, sofreu intervenção.

Comentaristas como Nouriel Roubini, professor de economia na Stern School of Business, da Universidade de New York, destacaram o escopo de saques discretos de parte de depositantes cujos ativos no banco excediam o nível garantido.

Mas na Europa, a ruidosa quebra de outro banco atraiu atenção para outro fenômeno do século 21: à medida que pessoas físicas e empresas cada vez mais recorrem à Internet para administrar suas finanças, saques imensos podem ser invisíveis.

O Fortis, banco holandês que foi o foco de um resgate transnacional na semana passada, também foi parcialmente vítima de uma corrida bancária silenciosa, acompanhada por uma queda dramática em suas ações que levou os governos da Holanda, Bélgica e Luxemburgo a intervir e injetar dinheiro no banco e seguradora.

"Se o Fortis estivesse com problemas, transferiria meu dinheiro pela Internet para a conta dos meus pais", disse a estudante Frederique Schilte, diante de uma agência do banco em Amsterdã, à qual ela foi para pagar uma conta.

Na Grande Depressão de 1929 a 1933, boa parte do estrago foi causado por corridas a bancos que ganhavam força quando outras pessoas viam filas de clientes de bancos que tentavam resgatar seu dinheiro. No caso do Fortis, boa parte da fuga de depósitos aconteceu com o clique de um mouse.

O Northern Rock, do Reino Unido, que em setembro do ano passado sofreu a primeira corrida bancária do país em mais de 140 anos, viu três dias de filas de correntistas em suas agências, quando a confiança na instituição desapareceu. Isso criou cenas que, nas palavras de um político, fizeram com que o Reino Unido se parecesse com uma "república das bananas".

Os saques nas agências diminuíram depois que o governo ofereceu garantia às contas de poupança. Mas o maior estrago aconteceu com saques via Internet, correios e telefones. Quase 14 bilhões de libras (25 bilhões de dólares) foram sacados do Northern Rock no começo do pânico ao final de 2007, mais de metade de seus depósitos.

Ironicamente, foi um outro banco holandês, ING, que foi pioneiro no crescimento dos serviços de banco online com o lançamento do ING Direct uma década atrás: com 192 bilhões de euros em poupanças e depósitos em contas correntes, ele é agora o 12o do mundo.

Attilio Vianello, 98, lembra como na década de 1930 ele tinha acabado de arrumar um emprego no Credito Veneto, um pequeno banco sediado em Padoa, na Itália, quando a crise de Wall Street se espalhou para a Europa.

"Os bancos faliam de um dia para o outro e a grande maioria das pessoas não conseguia tirar suas economias porque quando as pessoas sabiam do problema, já era tarde demais. Elas encontravam as portas das agências fechadas", lembra Vianello.

O equivalente eletrônico a isso seria uma falha de servidor ou o site do banco sair do ar. Muitos executivos afirmam que em qualquer corrida silenciosa, permitida pela transferência eletrônica de fundos, o aspecto que gera mais danos é a velocidade com que os clientes podem agir.

"A chamada corrida silenciosa a um banco é real", disse Carlos Evans, executivo do Wachovia, ao jornal Kansas City Star. "Você pode sair de uma situação enfraquecida para um problema em questão de dias. Eu não creio que as pessoas tenham compreensão sobre o quão rápido os eventos podem se dar", disse o executivo.

Reportagem adicional de Lisa Jucca em Zurique

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