Suframa descarta desastre, mas se preocupa com crédito

quarta-feira, 8 de outubro de 2008 17:56 BRT
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) acompanha a recente disparada da moeda norte-americana e a crise nos mercados internacionais, "mas sem o sentimento de desastre à vista".

A avaliação é do coordenador-geral de estudos econômicos e empresariais da entidade, José Alberto Machado, que ponderou, no entanto, que é preciso ficar atento à possível falta de crédito ao consumidor final e ao caminho que as exportações chinesas seguirão com a desaceleração norte-americana.

"A disparada do dólar, na nossa análise, é conjuntural e o Banco Central tem mecanismos para que ele se estabilize em patamares aceitáveis", afirmou o executivo em entrevista à Reuters nesta quarta-feira.

Segundo ele, as oscilações da moeda norte-americana tem dois efeitos práticos para a indústria instalada na Zona Franca: encarece a compra dos insumos importados, mas favorece a competitividade do produto final produzido localmente.

Na avaliação de Machado, "uma coisa compensa a outra". Ele lembra que a média de nacionalização dos produtos fabricados em Manaus é de 55 por cento, o que equivale dizer que "apenas 45 por cento dos insumos são comprados fora" e ficam à mercê da alta recente do dólar.

A indústria se preocupa, segundo o coordenador, com uma possível retração na oferta de crédito, um fator importante na venda de bens de consumo duráveis como os produzidos na Zona Franca (motocicletas, televisores, celulares e microcomputadores). Mas isso, segundo Machado, ainda não aconteceu.

"Se houver uma redução na oferta de crédito, isso só acontecerá em dois ou três meses", estima ele.

Além disso, Machado acredita que "a demanda do Natal poderá compensar uma possível retração no crédito".   Continuação...