Brasil aposta na tecnologia para controlar a Amazônia

quarta-feira, 15 de outubro de 2008 17:00 BRT
 

Por Raymond Colitt

BRASÍLIA (Reuters) - Quando um piloto colombiano pousou numa pista clandestina da Amazônia com um carregamento de cocaína, cada movimento dele estava sendo observado do céu.

Guiados por um avião-espião de alta tecnologia, que descreve círculos quilômetros acima das nuvens, agentes da Polícia Federal prenderam o piloto minutos depois, apreendendo 300 quilos de cocaína. A polícia espera que a ação, ocorrida há várias semanas, em breve permita desbaratar uma grande quadrilha internacional.

Diante da crescente pressão internacional pela preservação da Amazônia, o Brasil aposta cada vez mais na inteligência e na tecnologia para combater atividades ilegais na floresta.

"Não tem como ter agentes em todo lugar, a área é enorme. Precisamos de inteligência para priorizar recursos", disse Marcelo de Carvalho Lopes, diretor do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), em entrevista nesta semana.

No Sipam, criado em 2003 a um custo de 1,4 bilhão de dólares, as autoridades combatem o desmatamento, as queimadas e o narcotráfico, analisando imagens de satélites e fotografias aéreas. Centenas de sensores climáticos, telefones por satélite e conexões de Internet banda-larga estão espalhados pelos 5,2 milhões de quilômetros quadrados da floresta, uma área maior que a União Européia.

"O Estado brasileiro tinha que ter mais presença lá", disse Lopes.

Nas paredes de um grande auditório na sede do Sipam, um prédio de Brasília com formato de disco-voador, estão as imagens mais recentes das áreas mais afetadas pelo desmatamento, feitas por câmeras de infravermelho dos aviões da Força Aérea.

As imagens serão usadas como prova judicial contra centenas de madeireiros. Atualmente, só 8 por cento de todas as multas por extração ilegal de madeira são pagas, segundo o Ministério do Meio Ambiente. As imagens de alta resolução também mostram as trilhas usadas na devastação, o que ajuda as autoridades a evitar o desmatamento.   Continuação...