22 de Outubro de 2008 / às 10:34 / 9 anos atrás

Índia envia missão não-tripulada à lua

Por S. Murari

ARIHARIKOTA, Índia (Reuters) - A Índia lançou sua primeira missão não-tripulada à lua na quarta-feira, seguindo os passos da China.

O Chandrayaan-1, espaçonave cubóide construída pela Organização Indiana de Pesquisas Espaciais (Isro, na sigla em inglês), foi lançado de um centro espacial no sul do país, logo após o amanhecer. Com o lançamento, a Índia celebra suas ambições de progresso científico e espera ganhar mais espaço nos negócios espaciais.

"O que começamos é uma jornada notável", disse G. Madhavan Nair, chefe da Isro, a repórteres.

O lançamento acontece menos de duas semanas depois da Índia ter fechado um acordo de energia nuclear com os Estados Unidos, transformando o país em uma potência nuclear de fato.

A operação espacial tem a ambição de mapear a lua, mas a China, no mês passado, já realizou sua primeira caminhada espacial, o que deu status de heróis nacionais aos astronautas chineses.

Os indianos não querem ficar para trás na corrida espacial asiática, que pode ter implicações tecnológicas e militares. Há, no entanto, uma desconforto no Ocidente em relação aos objetivos militares da China no espaço. Teme-se que o país queira desenvolver mísseis anti-satélite.

"Nossa comunidade científica mais uma vez deixou o país orgulhoso e a nação inteira a saúda", disse o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh.

Tratado pela mídia local com patriotismo, o lançamento parece ter distraído a Índia da própria desaceleração econômica, da queda dos preços das ações e das ondas de violência étnica e religiosa.

Num país onde centenas de milhões de pessoas vivem na pobreza e milhões de crianças estão desnutridas, os custos da missão surpreendentemente foram pouco questionados.

"Destino lua... Dia histórico para a Índia", afirmou uma emissora de TV.

O projeto custou 79 milhões de dólares, menos do que os projetos chinês e japonês, feitos em 2007. A Isro diz que a missão na lua abrirá caminho para que a Índia tenha uma fatia maior dos negócios espaciais globais.

O principal objetivo é procurar Hélio 3, um isótopo bastante raro na Terra, que serve para fazer fusão de energia nuclear. O Hélio 3 pode ser uma fonte valiosa de energia no futuro, acreditam alguns cientistas.

Um dispositivo chamado Sonda de colisão lunar vai aterrissar sobre a lua para varrer um pouco de poeira, enquanto os instrumentos analisarão as partículas, segundo a Isro.

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