Ações da Sony caem 14 por cento depois de alerta de lucros

sexta-feira, 24 de outubro de 2008 12:18 BRST
 

Por Kiyoshi Takenaka

TÓQUIO (Reuters) - As ações da Sony caíram 14 por cento, ao seu ponto mais baixo em 13 anos, na sexta-feira, depois que a fabricante de eletrônicos reduziu à metade sua projeção de lucros, à medida que a crise de crédito começa a prejudicar a demanda por suas câmeras e televisores de tela plana e promove alta do iene.

A revisão gerou preocupações quanto à receita de outros exportadores japoneses de alta tecnologia, e alguns investidores dizem que a fabricante dos televisores LCD Bravia pode ter de reduzir sua projeção novamente, já que suas suposições quanto às perspectivas de câmbio entre iene e euro parecem otimistas se comparadas às cotações vigentes.

"Vemos risco de novos déficits e acreditamos que as notícias negativas ainda não tenham chegado ao fim", afirmou Yuji Fujimori, analista do Goldman Sachs, em nota a clientes, acrescentando que estava reduzindo sua meta de preços para a empresa em mil ienes, para 1,9 mil ienes.

A mais recente revisão negativa das projeções da Sony -a segunda do ano- surgiu enquanto os investidores se preparam para os anúncios de resultados trimestrais das empresas de tecnologia, na semana que vem.

"O alerta da Sony demonstrou que as previsões quanto aos resultados da empresa foram otimistas demais e agora, com o iene mais forte, toda a situação está se tornando muito pior", disse Hiroaki Abe, administrador de fundos na Chibagin Asset Management.

O conglomerado japonês de entretenimento e eletrônica reduziu sua projeção de lucro operacional em 57 por cento, para 200 bilhões de ienes (dois bilhões de dólares), devido à desaceleração na demanda por seus televisores e câmeras digitais Cybershot, acrescentando que a recente alta do iene diante do euro e do dólar havia prejudicado os lucros.

A Sony pode fechar algumas fábricas, reduzir seus investimentos de capital e cortar empregos a fim de lidar com um ambiente de negócios que, alertou, poderia se manter negativo ao longo da maior parte do ano que vem. A empresa pretende compilar novas medidas de reestruturação já no final deste ano.

(Por Kiyoshi Takenaka)