29 de Outubro de 2008 / às 17:37 / em 9 anos

CENÁRIOS-Teles devem ficar seletivas em investimentos em 2009

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - As operadoras de telefonia celular admitem que a possibilidade de escassez de recursos ou de linhas de financiamento as obrigue a ser mais seletivas e criativas nos investimentos que deverão fazer em 2009.

Os planos das companhias não prevêem redução no total investido, já que todas se comprometeram com expansões e cumprimento de obrigações junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), sem falar nos planos de aquisições e incorporações.

Mas a forma de investir terá de se adequar ao fato de que talvez o consumidor não consiga financiamentos com tanta facilidade nem existam linhas de crédito para os planos das operadoras, reconhecem.

Presentes ao Futurecom 2008 nesta quarta-feira, presidentes de três das quatro maiores operadoras de celular do país citaram o momento de incerteza econômica, ainda que reafirmem a disposição de investir.

João Cox, presidente da Claro, citou que as operadoras devem manter o ritmo de investimentos dos últimos anos, mas “o desafio será viabilizar recursos para os pesados investimentos”.

Segundo ele, as operadoras têm aplicado uma média de 19 bilhões de reais ao ano no setor e devem repetir o número em 2009.

Ele lembrou que as operadoras que adquiriram licenças de terceira geração assumiram com a Anatel compromisso de levar infra-estrutura em cidades onde hoje o celular não existe. Em 2009, algo como 1 mil novos municípios devem receber cobertura.

Além disso, ele afirmou que dados de empresas de pesquisa mostram que 30 milhões de novos clientes de celular devem entrar na base ao longo deste ano e que as redes terão de crescer para acompanhar a entrada desses novos assinantes. “Tudo leva a crer que vamos continuar a investir 19 bilhões em 2009”, concluiu. Na sua avaliação, “o mercado vai valorizar a gestão de custos e a solidez financeira”.

No caso específico da Claro, no entanto, ele admite que a empresa será “mais consciente em termos de investimento”, mas destaca que a operadora “não tem dívida e gera caixa suficiente para seus investimentos”.

GOVERNO DEVE ESTAR ATENTO

Roberto Lima, presidente da Vivo VIVO4.SA, citou como consequência provável da crise econômica “a redução da liquidez e do capital disponível” para o consumo.

Por isso, ele afirmou que as operadoras “terão de ser mais seletivas e priorizar investimentos que otimizem o retorno”. Lima afirmou que “a capacidade da Vivo de tomar crédito é muito boa” e que acredita que após um período de ajustes, “as linhas de crédito voltar a ficar disponíveis”.

De qualquer forma, o executivo da maior operadora de celular em número de clientes ressaltou que “o governo tem de estar atento” à possível falta de crédito e liberar linhas de bancos como o BNDES e o Banco do Nordeste. Recentemente, a própria Vivo captou 550 milhões de reais junto ao Banco do Nordeste.

PARA A OI, É PRECISO DESTRAVAR LICITAÇÕES

Para o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, a crise não deve se alongar e deve demorar um pouco mais a chegar no setor de telecomunicações. “O setor é um combustível para a economia”, disse ele.

Na sua avaliação, entretanto, “em um ano em que os recursos são finitos, parece mais razoável destravar licitações com as de WiMax e de cabo”, citou. Segundo ele, “as empresas devem continuar a investir, mas a questão é saber se isso atende à demanda. Se não atender, temos de ser mais criativos”.

Por isso, ele criticou as restrições para que determinadas empresas participem de algumas licitações. No caso do WiMax e do cabo, as atuais concessionárias de telefonia, como a Oi, não podem participar.

Ele ressaltou, entretanto, que “não há nenhum movimento de desaceleração de investimentos” e que a saída será buscar recursos de mais curto prazo, “que hoje estão disponíveis”.

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