Batida do coração pode gerar energia para futuros marca-passos

segunda-feira, 10 de novembro de 2008 15:48 BRST
 

Por Michael Kahn

LONDRES (Reuters) - Os marca-passos e os desfibriladores do futuro podem gerar energia adicional de uma fonte surpreendente: o próprio coração.

Usando um microgerador acionado pelos batimentos cardíacos, uma equipe britânica anunciou nesta segunda-feira que sua experiência produziu cerca de 17 por cento da energia necessária para acionar um marca-passo artificial.

Isso significa que a próxima era dos marca-passos pode incorporar essa tecnologia e resultar em dispositivos mais duradouros, com mais funções adicionais que ajudem a administrar o coração, eles afirmaram.

"Trata-se de um estudo de teste de conceito, e nós fornecemos o conceito", anunciou em comunicado Paul Roberts, do Southampton University Hospital, no Reino Unido.

"Colher a energia excedente poderia representar uma grande transição para os marca-passos e desfibriladores implantáveis porque os engenheiros teriam mais energia com a qual trabalhar", afirmou.

Um marca-passos envia impulsos elétricos ao coração para acelerar ou desacelerar o ritmo cardíaco, enquanto um desfibrilador cardioversor implantável sinaliza ao coração que normalize seu ritmo caso este esteja acelerado ou desacelerado demais.

Os aparelhos salvam vidas e estão incorporando tecnologia e se tornando mais sofisticados à medida que a ciência evolui. Mas agora eles se tornaram tão pequenos que a única maneira de precisar energia adicional, que permitiria executar mais funções, seria aumentar o tamanho da bateria.

O problema é que isso também tornaria maiores os aparelhos implantados sob a pele, o que os tornaria desconfortáveis e menos atraentes do ponto de vista da aparência, disseram os pesquisadores.

"Os aparelhos pequenos que temos agora são muito bons, mas o consumo de energia precisa crescer se queremos conduzi-los a um novo patamar", disse Roberts.

Os pesquisadores, que apresentaram suas conclusões na reunião da American Heart Association, em Nova Orleans, testaram um gerador que ajuda o coração a produzir energia mais que suficiente para bombear sangue a cada batida.