11 de Novembro de 2008 / às 11:07 / 9 anos atrás

Lucro da Vivo salta a R$130 mi com controle de custos

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - O controle dos custos e a elevação da base de assinantes com menor índice de subsídios levaram a Vivo Participações a um forte crescimento no lucro líquido no terceiro trimestre do ano, para 129,8 milhões de reais.

Em igual período do ano passado, quando não havia ainda consolidado a Telemig Celular em seus números, o ganho da maior operadora de celular do país havia sido de 4,4 milhões de reais. Com a Telemig, a cifra foi de 42,6 milhões de reais. A Vivo acertou a compra da operadora mineira em agosto do ano passado, mas a operação foi concluída apenas em abril deste ano.

A Vivo encerrou o trimestre com uma base de clientes de 42,27 milhões, crescimento de 21 por cento em relação ao total combinado de Vivo e Telemig no mesmo período do ano passado.

Enquanto isso, a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve uma evolução de 39,8 por cento, para 1,316 bilhão de reais. A margem subiu seis pontos, a 32,3 por cento.

O presidente da Vivo, Roberto Lima, destacou que, enquanto a receita líquida cresceu 13,7 por cento, a receita de serviços teve um incremento de 28 por cento, ao passo que as despesas cresceram 14 por cento (metade do aumento da receita).

O custo de aquisição por cliente, por exemplo, foi de 76 reais no terceiro trimestre, com uma queda de 31,5 por cento em relação ao mesmo trimestre de 2007.

De acordo com a companhia, isso se deve ao fato de que quase 50 por cento dos novos clientes terem sido efetivados sem subsídio e da maior entrada de clientes na tecnologia GSM, que possui custo inferior.

As despesas gerais e administrativas caíram 11,4 por cento e o total dos custos operacionais foi 7,3 por cento maior que no mesmo período de 2007, de 3,527 bilhões de reais.

A receita média por usuário (arpu, na sigla em inglês) caiu de 30,7 reais no terceiro trimestre de 2007 para 29,4 reais nos três meses encerrados em setembro.

SEM PLANOS DE REDUZIR INVESTIMENTOS

Em 2008, a Vivo executa o maior plano de investimentos de sua história, de 6,08 bilhões de reais, por conta da compra das licenças de terceira geração e implantação dessa nova rede, além da compra da Telemig Celular e da expansão para novos Estados do Nordeste, Pelotas (RS) e Franca (SP), com a qual conquistou cobertura nacional.

Para 2009, o orçamento ainda não foi aprovado, mas Lima diz que “não gostaria de reduzir os planos de investimentos”.

Segundo ele, “a restrição ao crédito ainda não chegou ao consumidor” e a própria Vivo também não sentiu qualquer dificuldade de captar recursos até o momento. “Mas os bancos estão preocupados”, admitiu Lima.

Com a própria geração de recursos da operação e mais de 50 por cento do endividamento no longo prazo, Lima acredita que a empresa “não vai ter grandes problemas para administrar o caixa”.

A dívida líquida no terceiro trimestre era de 3,998 bilhões de reais, enquanto o caixa era de 1,971 bilhão.

CUIDAR DA SAÚDE

Para o presidente da Vivo, o aumento da concorrência “faz parte das contingências do jogo e nos leva a reforçar o nosso diferencial, que é baseado na qualidade”.

Recentemente, enquanto a Vivo estreou em dois Estados da região Nordeste (Pernambuco e Ceará), passou a contar com duas novas rivais no Estado de São Paulo: Oi e “aeiou”.

Segundo o executivo da Vivo, a empresa “vai lutar com as suas armas para manter a participação de mercado”, que hoje é de 30 por cento dos assinantes e 32 por cento das receitas, “mas de uma maneira extremamente saudável”, acrescentou.

“Em épocas de turbulência, é bom cuidar da saúde”, disse Lima, em entrevista à Reuters.

De acordo com Lima, a Vivo é a companhia “com menor número de reclamações por mil” dentro dos parâmetros avaliados pela Anatel, marca que ele não pretende alterar diante da concorrência ou das turbulências do mercado financeiro.

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