November 11, 2008 / 4:38 PM / 9 years ago

ANÁLISE-Celulares caminham para crescimento rentável

6 Min, DE LEITURA

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Apesar do forte crescimento na base de assinantes ao longo de todos os meses deste ano, o setor de telefonia celular parece estar absorvendo a lição do controle de custos para crescer com rentabilidade.

O destaque do terceiro trimestre foi, segundo analistas ouvidos pela Reuters, a Vivo, que apesar de estar em um ano de investimento recorde em sua história e de manter a liderança em número de clientes, surpreendeu ao mostrar um lucro líquido quase 30 vezes maior que no mesmo intervalo de 2007.

"O resultado da Vivo surpreendeu. O destaque foi a rentabilidade operacional e o controle de custos", disse Luciana Leocadio, analista da Ativa Corretora.

Segundo ela, as demais celulares também foram bem no trimestre encerrado em setembro e todas caminham com a mesma idéia -- recuperar a margem--, "mas nem todas estão conseguindo", disse a analista.

A receita de serviços da Vivo cresceu 28 por cento, enquanto as despesas cresceram metade, ou 14 por cento, sobre igual trimestre do ano passado.

A dívida da companhia cresceu diante dos investimentos programados de mais de 6 bilhões de reais neste ano, montante que inclui a compra das licenças e a implantação da rede de terceira geração, além da compra da Telemig Celular e da implantação da estrutura em seis Estados do Nordeste, Pelotas (RS) e Franca (SP), com a qual completa a cobertura nacional.

Tim Na Mesma Trilha

Os analistas também citaram a TIM como exemplo de que as celulares decidiram colocar o controle de custos à frente da ânsia por novos usuários.

A companhia reverteu prejuízos com um lucro de 22,5 milhões de reais entre julho e setembro deste ano, reduzindo custo de aquisição de clientes e a provisão para devedores duvidosos

(Pdd).

"A TIM conseguiu resultados muito melhorres, mas ainda acho que os níveis de PDD estão altos", ponderou o analista Alex Pardellas, da Banif.

A Vivo também foi destaque na sua avaliação. "Eu esperava resultados bons, mas eles foram muito além", afirmou o analista da Banif.

Em agosto, a TIM perdeu a segunda posição em número de clientes no Brasil para a Claro. Alguns números da Claro, que possui capital fechado no Brasil, podem ser vistos no balanço da controladora mexicana América Móvil.

O balanço mostra uma geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda em inglês) de 673 milhões de reais para a operadora brasileira, uma alta de 6 por cento sobre o resultado do terceiro trimestre de 2007.

A margem Ebitda da Claro, no entanto, caiu 2,2 pontos percentuais, para 22,8 por cento das receitas, e a controladora explica, no demonstrativo, que a queda se deveu ao custo de aquisição de clientes, que não é divulgado.

Já o lucro operacional antes de impostos da empresa (Ebit em inglês) cresceu mais de 25 vezes, para 103 milhões de reais, ante os 4 milhões de reais registrados um ano antes.

A Oi, por sua vez, mesmo diante da agressividade para entrar no mercado paulista neste segundo semestre, manteve a margem Ebitda da operação móvel inalterada em 33,2 por cento das receitas, de acordo com o balanço.

O lucro líquido da divisão de celular da Oi, no entanto, saltou 68,5 por cento, para 155 milhões de reais, segundo a Oi.

Já o balanço da Brasil Telecom mostra a duplicação da margem Ebitda da operação móvel no ano, para 14,7 por cento das receitas, ainda que o índice seja bem inferior às suas concorrentes.

De qualquer forma, os analistas salientam que, no caso de operadoras que têm telefonia fixa e móvel, fica difícil comparar com aquelas que só atuam no celular, como Vivo e TIM.

Quarto Trimestre Aquecido

Os analistas não esperam redução do nível de crescimento ou problemas de crédito no último trimestre do ano, tradicionalmente o mais aquecido para o comércio.

Pardellas lembra que as operadoras estão estreando em novas áreas -- Vivo no Nordeste e Oi em São Paulo -- e que ainda não há sinais de retração no crédito ao consumidor.

"O mercado poderá sentir mais (esses efeitos) no ano que vem", disse ele.

A opinião é compartilhada por Luciana, ainda que ela espere algum "efeito câmbio" no preço dos aparelhos celulares. "Não deve ter falta de crédito neste trimestre", afirmou.

Até setembro, o Brasil acumulava 140,788 milhões de usuários de celular, volume 25 por cento maior que em setembro de 2007. O país já adicionou 19,8 milhões de novas linhas neste ano.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below