12 de Novembro de 2008 / às 15:33 / 9 anos atrás

Oi quer mais um ano para pagar licenças de 3G

RIO (Reuters) - Diante do receio de que a crise mundial afete a capacidade de investimento, a Oi solicitou ao governo federal a prorrogação por um ano do prazo de pagamento da licença de terceira geração de telefonia móvel (3G) ou o parcelamento do passivo em seis anos, afirmou o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco.

Cerca de 10 por cento do valor da licença foi pago no ato de assinatura da compra das frequências, em abril deste ano, e o restante deve ser feito em 10 de dezembro desse ano.

Como as empresas podem optar por pagar o total restante ou usar o financiamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Falco calculou que esse passivo seria de aproximadamente 700 milhões de reais.

O medo da operadora, como afirmou o executivo a jornalistas, é se descapitalizar em um momento de escassez de crédito e de encurtamento de prazos de financiamento por conta da crise internacional.

"Acho que isso é bom para o Brasil. A crise que passamos é de curto prazo, mas cria uma falta de liquidez. Os governos têm ajudado várias indústrias dando liquidez", disse Falco, após participar de um seminário no Rio.

Ele lembrou que o próprio governo brasileiro já anunciou incentivo para alguns setores como bancos e montadoras, beneficiados pela liberação de recursos do compulsório bancário.

"Nossa indústria responde por 6 por cento do PIB e 10 por cento do investimento nacional. O que estamos dizendo é o seguinte: por enquanto não reduzimos investimento, eventualmente vamos ter que reduzir por falta de liquidez, e parece de bom tom não passar por isso. Não queremos benefício, queremos liquidez por um ano", adicionou Falco.

Ele frisou que quer mais um ano de fôlego para definir se paga à vista o passivo ou se parcela por mais 12 meses.

SÓ A CLARO PAGOU À VISTA

Falco informou que a dívida de todas as operadoras com o governo nas licenças de 3G é de aproximadamente 3,5 bilhões de reais, sendo que a concorrente Claro foi a única que já fez o pagamento à vista, de 1,4 bilhão de reais.

O presidente da Oi, no entanto, acredita que a Claro não deveria receber nenhuma compensação, caso o governo dê um folga para as demais operadoras.

"Você toma medidas de política pública de acordo com a situação. Quando uma operadora paga à vista ela pode ter tido benefícios. Essa operadora multinacional fechou a operação com um câmbio a 1,60 reais", alfinetou o executivo.

"Não acho que o fato de a maioria querer e uma ou duas não quererem deveria contaminar o assunto", acrescentou.

Segundo Falco, o tema já foi levado pela Acel (associação das operadoras de celular) à Anatel, ao BNDES e ao Ministério das Comunicações.

O próximo passo seria uma conversa com o Ministério da Fazenda. "Não queremos ser espertos ou dar um pernada em alguém. Agora é um decisão política. É uma decisão que vai subir e até agora não recebemos um 'não'", afirmou.

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier, Edição de Taís Fuoco

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