Sem jogos da Nintendo no Natal? Culpe os piratas da Somália

sexta-feira, 14 de novembro de 2008 15:40 BRST
 

Por Stefano Ambrogi

LONDRES (Reuters) - Alarmadas diante do crescente número de ataques praticados ao largo das costas da Somália, as companhias internacionais de navegação estão mais perto de uma decisão antes vista como impensável em tempos de paz: abandonar uma das rotas comerciais mais vitais do planeta.

Piratas somalis vêm saqueando navios ao largo da África há anos, mas uma recente alta no número de ataques se estendeu ao Golfo de Áden e ao Mar Vermelho, o que ameaça o acesso ao Canal de Suez.

Agora, as grandes empresas cujos navios são utilizados para o transporte de toda espécie de produtos, de petróleo, gás e carvão a brinquedos, estão considerando urgentemente se não seria melhor desviar o trânsito para a rota que contorna o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul.

"A despeito de todo o alarde quanto à pirataria, o assunto realmente começará a se fazer sentir quando os consumidores do Ocidente descobrirem que não receberam seus presentes da Nintendo neste Natal", disse Sam Dawson, da International Transport Workers' Federation (ITF).

"Se a pirataria não arrefecer e se as Marinhas da região não intervierem, o impacto sobre o comércio surgirá dentro de semanas ou meses, porque a situação se agravou de um ataque por quinzena a quatro em um mesmo dia", ele disse.

"Os ataques não se limitam a acontecer a 100 quilômetros da costa da Somália; agora eles ocorrem a até 320 quilômetros da costa, e não estamos mais falando de sujeitos em botes de pesca. Sabemos que existem três traineiras, provavelmente ex-soviéticas, que agem como barcos-mãe", disse Dawson.

O Golfo de Áden, onde muitos dos ataques têm ocorrido, conecta a Europa ao Oriente Médio e à Ásia, pelo Canal de Suez.

A rota alternativa, contornando o Cabo da Boa Esperança, tornaria uma viagem típica de cerca de três semanas mais longa, o que retardaria a chegada de produtos aos consumidores e elevaria os custos de transporte.

Embarques de assistência à combalida Somália estão entre as cargas atacadas. Um barco de pesca chinês foi tomado por piratas ao largo do Quênia na quinta-feira e levado a águas territoriais somalis.