Teles brasileiras buscam ajuda do governo para falta de crédito

quarta-feira, 19 de novembro de 2008 19:38 BRST
 

Por Walter Brandimarte

NOVA YORK (Reuters) - As empresas de telefonia celular no Brasil pediram ao governo para adiar o pagamento das taxas de fiscalização, além do pagamento das licenças de terceira geração, como forma de manter investimentos em um momento de aperto de crédito, disse o presidente da Vivo, Roberto Lima, na quarta-feira.

Lima afirmou que as empresas brasileiras e os consumidores irão sentir os efeitos da retração no crédito em 2009, o que poderá resultar em maiores taxas de desemprego e menor rendimento à população.

"Sendo um setor com uma importância tão grande para o desenvolvimeno do Brasil, o governo, assim como está fazendo com outros setores, deveria também se preocupar em manter esse segmento com uma certa tranquilidade para poder planejar", Lima afirmou à Reuters em uma entrevista na bolsa de Nova York (Nyse).

Segundo ele, "a decisão tem que ser tomada agora para que o investimento seja realizado daqui a seis meses. O que nós não podemos é, nesse momento, em função de uma situação conjuntural, tomar a má decisão que seria parar os investimentos".

A Vivo, maior operadora de celular do Brasil, e outras operadoras do país, levaram ao Ministério das Comunicações, através da associação de classe Acel, pedido para adiar até o final de 2009 o pagamento das licenças de terceira geração adquiridas no final do ano passado e cujo pagamento, total ou parcial, deve ser feito no dia 10 de dezembro.

Elas também pedem que o governo adie o pagamento da contribuição anual para o fundo Fistel, de fiscalização do segmento, cujo vencimento se dá em março de 2009.

As medidas, se aprovadas pelo governo federal, poderiam dar à Vivo um alívio temporário de caixa de 1,64 bilhão de reais (690 milhões de dólares), dos quais 1,1 bilhão de reais se devem às licenças de 3G, segundo o executivo.

A empresa, controlada pelos grupos Portugal Telecom e Telefónica Móviles, tem recursos suficientes para atender suas obrigações do primeiro trimestre de 2009, disse Lima, acrescentando que mais linhas de crédito de fontes oficiais também poderiam ajudar o setor a atravessar o próximo ano.   Continuação...