América Móvil espera receita menor por usuário em 2009

segunda-feira, 24 de novembro de 2008 15:48 BRST
 

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - A gigante mexicana de telefonia celular América Móvil, que no Brasil controla a Claro, poderá ver uma redução das receitas por usuário em 2009 diante da desaceleração econômica na região. A empresa, entretanto, deve manter o crescimento do número de clientes, segundo relatório do Morgan Stanley nesta segunda-feira.

O banco de investimentos disse que a América Móvil, a jóia do império de negócios do magnata mexicano Carlos Slim, espera que o México, seu país de origem e um de seus principais mercados, não registre crescimento econômico no próximo ano, enquanto os demais países da região crescerão em torno de 1,5 por cento.

Nesse cenário, a receita média por usuário (ARPU, na sigla em inglês) da companhia, que fechou o terceiro trimestre com 172,6 milhões de usuários, poderia cair entre 2 e 3 por cento, segundo a analista do Morgan Stanley Vera Rossi, depois de uma reunião com a administração da América Móvil.

O crescimento no número de assinantes continuará, em especial no México e no Brasil, que ainda tem nível de penetração de celular perto de 70 por cento --número relativamente baixo em relação a outros países da América Latina, onde o índice está próximo de 100 por cento.

"A administração da América Móvil acredita que os principais países da região deveriam alcançar uma penetração de 90 por cento até 2010", diz o relatório.

Outro efeito da desaceleração, disparada por uma crise financeira originada nos Estados Unidos, seria uma redução das margens devido à depreciação das moedas locais, o que pode afetar o preço dos celulares e tornar mais difícil o tradicional subsídio aos telefones móveis.

"A América Móvil crê que está em uma boa posição para negociar com os fabricantes de equipamentos e manter sob controle os custos. No entanto, nosso ponto de vista é que haverá algum impacto negativo nas margens, já que a depreciação das moedas na região foi de entre 20 e 30 por cento", acrescentou o relatório.

(Reportagem de Tomás Sarmiento)