Órgão regulador dos EUA vai estudar plano para Internet grátis

terça-feira, 2 de dezembro de 2008 16:03 BRST
 

Por Kim Dixon

WASHINGTON (Reuters) - A Federal Communications Commission (FCC), órgão regulador das telecomunicações nos Estados Unidos, deve avaliar este mês um plano para leiloar frequências públicas de rádio, sob a condição de que o vencedor reserve uma porção do espectro ao acesso nacional gratuito à Internet, uma proposta à qual o setor de telefonia móvel vem se opondo fortemente.

O plano é defendido por Kevin Martin, presidente da FCC e membro do Partido Republicano cujo mandato vai se encerrar quando o governo Obama assumir, em janeiro. Martin deve anunciar na terça-feira que sua proposta será debatida na reunião da comissão em 18 de dezembro.

Há diversos obstáculos. O setor de telefonia móvel, por exemplo, está argumentando que um requerimento da FCC por Internet grátis não representa modelo de negócios viável para a maioria das empresas.

Também alinhados contra a proposta de Martin estão os defensores da liberdade de expressão, que não aprovam uma cláusula sob a qual o vencedor teria de bloquear pornografia e outras formas ofensivas de conteúdo para os usuários do acesso gratuito.

Outra preocupação se relaciona à disposição dos investidores quanto a criar a infra-estrutura necessária ao acesso gratuito quando a economia enfrenta uma recessão.

"Todo mundo gosta do conceito de banda larga gratuita, acesso gratuito à Internet, mas na prática, na forma pela qual o modelo foi concebido, ele pode apresentar problemas", disse Ben Scott, diretor da Free Press, uma organização de ativistas.

A T-Mobile, subsidiária da Deutsche Telekom, afirma que o requerimento de acesso grátis que a proposta envolve geraria interferência em bandas adjacentes do espectro. O serviço de tecnologia e engenharia da FCC, no entanto, informou que não haveria interferência significativa com outras freqüências.

A proposta de Martin se parece com a idéia da empresa iniciante M2Z Networks, apoiada por investidores como o grupo de capital para empreendimentos Kleiner Perkins Caufield & Byers.

John Muleta, presidente da M2Z, quer vender aos consumidores roteadores para acesso grátis à Internet em velocidade média, via DSL. Eles pagariam por upgrades caso desejassem serviço mais rápido. A falta de concorrência e alta nos preços dos serviços de Internet está gerando demanda por alternativas mais baratas, ele disse.