4 de Dezembro de 2008 / às 17:56 / 9 anos atrás

Mercado "cinza" de PCs interrompe queda em 2008

SÃO PAULO (Reuters) - Apesar dos incentivos fiscais concedidos pelo governo desde 2005, o índice de mercado "cinza" de PCs --máquinas que não chegam ao consumidor pelas vias legais de varejo ou que são montadas, sem marca-- interrompeu a trajetória de queda em 2008.

Os incentivos garantiram saltos entre 30 e 40 por cento nas vendas ao ano desde a publicação da Lei do Bem, no início de 2005, que isentou de PIS/Cofins as máquinas feitas no país, e já fez com que os índices de PCs não-legalizados caísse para menos da metade do que era em 2004.

Segundo dados apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) nesta quinta-feira, e apurados pela consultoria IT Data, o setor reduziu o ritmo de crescimento nas vendas e o índice do mercado cinza se manteve estável este ano sobre 2007.

A IT Data acredita que sejam vendidos 12 milhões de microcomputadores em 2008, entre PCs de mesa e notebooks, volume 20 por cento superior aos quase 10 milhões de 2007.

Em 2005, o salto sobre o ano anterior foi de 38 por cento e, em 2006, de 46 por cento nas vendas em unidades.

Enquanto isso, o percentual de mercado cinza entre as máquinas vendidas, que era de 73 por cento em 2004. Dois anos depois, ele já sofria um recuo de 26 pontos percentuais, para 47 por cento, enquanto em 2007 chegou a 35 por cento dos PCs vendidos.

Este ano, entretanto, apesar do aumento de 20 por cento no volume total, os PCs que chegaram ao consumidor de forma ilegal continuam a controlar os mesmos 35 por cento.

De acordo com Hugo Valério, diretor de informática da Abinee, em encontro com a imprensa, o fato está diretamente relacionado ao aumento nas vendas de notebooks.

Segundo ele, como os portáteis são muito mais fáceis de trazer ilegalmente, em viagens ao exterior, por exemplo, acabam por impedir que o índice de ilegais caia.

"É uma disputa entre a dor do bolso e a dor da consciência", afirmou o executivo, citando a diferença de preço dos produtos trazidos do exterior de forma ilegal, sobre os quais não incide a carga tributária brasileira.

Em 2008, por exemplo, segundo a pesquisa da IT Data, a venda de PCs de mesa deve sofrer queda de 8 por cento em unidades, mas as vendas de notebooks terão um salto de 138 por cento respondendo por 4,5 milhões dos 12 milhões que a indústria espera vender em todo o ano.

Por Taís Fuoco, Edição de Vanessa Stelzer

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