Para formandos, empregos no Vale do Silício estão escassos

terça-feira, 9 de dezembro de 2008 11:36 BRST
 

SAN FRANCISCO (Reuters) - Os jovens profissionais e os recém-formados vêm encontrando dificuldades para conseguiram empregos em meio à crise econômica e uma área, o Vale do Silício, vinha se provando imune, pelo menos até agora.

As empresas do Vale do Silício que inicialmente resistiram aos problemas econômicos agora estão tomando medidas de corte de custos e reduzindo vagas em postos de trabalho iniciantes, e as pessoas na casa dos 20 anos começam a descobrir que o diploma universitário deixou de ser o passaporte para o sonhado emprego no setor de alta tecnologia.

"Eu sinto que todo o trabalho que fiz na escola foi desperdiçado, porque não encontro emprego", diz Jillian Crawford, 25, que está à procura de um cargo de marketing em empresa de tecnologia desde que se formou com distinção na Universidade de San Jose State, em junho.

Crawford se candidatou a cerca de 25 postos de trabalho em marketing sem receber qualquer retorno dos potenciais empregadores. Ela diz que continua determinada a encontrar emprego no Vale do Silício e afirma que seria uma decepção ter de procurar em outro lugar.

Talvez sua missão não seja fácil. O Vale do Silício foi pesadamente atingido pela crise econômica mundial e empresas de tecnologia como Hewlett Packard, Yahoo, Sun Microsystems e Applied Materials cortaram 140 mil funcionários nos últimos meses, de acordo com a consultoria Challenger, Gray and Christmas.

Os empregadores estão dando mais valor à experiência e tempo no posto, algo com que os formandos não contam. E muitas empresas estão transferindo pessoas de seus quadros para ocupar cargos em aberto, em lugar de contratar novos funcionários, disse Kerry Kiley, gerente geral do grupo de recrutamento Adecco na região da baía de San Francisco.

"As coisas estão muito, muito difíceis no mercado, e ao que parece terão de piorar antes que melhorem -mesmo para as pessoas com bom nível educacional", afirmou ela. Só os engenheiros vêm escapando à tendência.

Para Crawford, a situação vem sendo muito incômoda. Ela teve de voltar a morar com os pais pouco mais de um mês atrás, a fim de economizar dinheiro enquanto procura emprego.

"Achei que demoraria duas ou três semanas a encontrar emprego que me interessasse", disse ela. "Estou chocada com a demora."