Alcatel mostra pessimismo sobre 2009; evita falar em lucro

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008 11:45 BRST
 

Por Matt Gill

PARIS (Reuters) - A fabricante de equipamentos de telecomunicações Alcatel Lucent reforçou medidas de corte de custos e informou que encerraria contratos com cinco mil fornecedores. A empresa informou ainda perspectivas pessimistas sobre a indústria em 2009 e evitou comentar quando acredita que chegará ao lucro.

A companhia anunciou expectativa de queda de oito a 12 por cento no mercado de equipamentos para telecomunicações em 2009, estimativa bem mais pessimista que as projeções de recuo de seus rivais.

A joint-venture Nokia Siemens Networks anunciou na semana passada que antecipava queda de 5 por cento no mercado de equipamentos, e a Ericsson previu que o mercado ficaria estagnado.

Falando com jornalistas depois que o grupo divulgou um plano estratégico muito aguardado para reduzir seus prejuízos, o novo vice-presidente da empresa, Paul Tufano, afirmou que queria "postergar" qualquer declaração sobre lucro líquido, que será discutido "em data futura".

"Creio que eles vão passar por uma rodada de queda de recomendações", disse Richard Windsor, analista da Nomura Securities, que prevê reduzir "significativamente" suas projeções de lucro para a Alcatel-Lucent em 2009.

"A maior surpresa é a dimensão das expectativas para o ano que vem, que envolve receita entre oito e 12 por cento mais baixa, e o fato de que a empresa ficará no vermelho pela maior parte de 2009. Acredito que seja por isso que estamos vendo uma reação negativa nos preços das ações hoje", disse Windsor.

As ações da Alcatel despencavam mais de 14 por cento às 11h37 (horário de Brasília). A finlandesa Nokia, uma das controladoras do grupo Nokia Siemens Networks, registrava queda de 5,3 por cento, e sua parceira alemã Siemens mostrava queda de 4,7 por cento. A queda das ações da Ericsson era de 6 por cento.

A Alcatel-Lucent afirmou que sua participação de mercado deve se manter estável em um mercado em queda, no ano que vem, e que planeja cortar despesas de pesquisas e desenvolvimento e custos gerais em 750 milhões de euros, no quarto trimestre do ano.